A Terapia Psicanalítica e a Terapia Cognitivo Comportamental embora sejam ambas terapias psicológicas, existem grandes diferenças entre si.

Na formação enquanto psicólogo e na hora de procurar ajuda, existem duas terapias que se destacam, a terapia psicanalítica e a terapia cognitivo comportamental. Embora ambas, sejam terapias psicológicas, têm conceções e pressupostos que as faz divergir muito entre elas.

A Terapia Psicanalítica ou Psicanálise teve origem em Freud, no início do seculo XX. Paralelamente à sua chegada, Freud introduziu o conceito de inconsciente, o que revolucionou totalmente a forma como o ser humano se vê a si mesmo, já que até ao momento acreditava-se que as nossas ações e comportamento eram totalmente conscientes, eramos donos e senhores de nós próprios. Freud veio então afirmar que o nosso funcionamento é essencialmente inconsciente. Essa ideia revelou-se a base de toda a teoria psicanalítica.

Além de muitos outros conceitos introduzidos, a psicanalítica “pura” remete inevitavelmente o individuo à infância. Já que segundo Freud, pressupunha-se que muitas das doenças mentais (para não dizer todas), derivavam de uma triangulação (pai-mãe-filho) deficitária. Isto é, o desenvolvimento das relações precoces na infância iriam determinar toda a sua vida em adulto.

Com base neste princípio, a terapia psicanalítica recai essencialmente sobre a infância, nas relações precoces com os seus progenitores. Acreditando que resolvendo a origem do problema os “sintomas” atuais irão desaparecer. Nesta perspetiva o foco não recai sobre os sintomas, mas sobre a origem. O que importa é como e porque o problema começou, não tanto o que o individuo está a sentir no momento atual.

A terapia psicanalítica centra-se em tornar consciente o inconsciente. Para tal é utilizada o método de associação livre, não existindo uma orientação ou um objetivo inicial, já que teoricamente o individuo vai falando, libertando o inconsciente. Pode levar muito tempo até encontrar a origem do problema.

Outra grande destaque na terapia psicanalítica é que o terapeuta, embora não dê orientação, ele é que é único responsável pela terapia. Não se focando em indicadores verificáveis como os sintomas, o terapeuta detém o poder de saber quando a terapia está terminada, o que faz muitas vezes questionar a ética.

A Terapia Cognitivo Comportamental como diz o nome é a combinação da terapia comportamental e a terapia cognitivista, esta união ocorreu por volta da década de 1970.

Jürgen Margraf (2009) oferece uma lista alguns princípios básicos que caracterizam os diversos métodos conceituais da TCC e aos mesmo tempo os podem distinguir das restantes:

  • A TCC se orienta no      conhecimento empírico da psicologia científica;
  • A TCC se orienta no problema      (sintoma) atual do paciente;
  • A TCC baseia-se na análise dos      fatores de vulnerabilidade (predisposições), fatores desencadeadores e      mantenedores dos transtornos mentais;
  • por se orientar no problema, a      TCC é também orientada para um objetivo definido (a modificação do      comportamento problemático);
  • A TCC é voltada para a ação e      não apenas para a tomada de consciência (ing. insight, al. Einsicht)      e uma compreensão mais profunda do problema;
  • A TCC não se restringe à      situação terapêutica, mas se estende à vida diária do indivíduo;
  • A TCC é transparente, tanto      quanto a seus objetivos quanto a seus meios;
  • A TCC procura ser uma ajuda      para a autoajuda, ou seja, acentua a responsabilidade do próprio paciente      no processo terapêutico
  • A TCC esforça-se por estar em      desenvolvimento constante.

Uma das críticas mais acentuadas a esta terapia é não se focar a origem do problema, mas unicamente sobre os sintomas, o que a pode caracterizar muitas vezes como superficial.

Perspetivas futuras (Ver Psicologia & Psicoterapia: Tendências Futuras ) indicam um aumento crescrente da procura da terapia cognitivo comportamental e o abandono progressivo da terapia psicodinâmica. É importante referir que cada vez mais não existem “terapeutas puros”, mas sim terapeutas que usam técnicas de várias escolas, tentando uma terapia integrativa. Embora muitas vezes na “conceção” do caso prevaleça uma perspetiva, na intervenção tenta-se integrar varias “ferramentas”, técnicas e métodos das diferentes perspetivas, tornando assim a intervenção mais eficaz e eficiente.

E você, por qual terapia optaria?

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1 Comentário

  1. Matheus diz:

    Sou psicoterapeuta cognitivo-comportamental. Embora o artigo fora colocado pelo autor de maneira ampla, Jeffrey Young em seu livro “Terapia do Esquema: guia de técnicas cognitivo-comportamentais inovadora” consegue integrar partes de destas duas abordagens e outras mais. Vale apena o estudo e leitura deste livro.