O Desemprego é frequente nos dias de hoje. Consequência do crescimento populacional ser superior ao crescimento económico. No Brasil o desemprego está nos 6.7% e em Portugal 14.2%, já a média da zona euro é de 11%. É incontornável o tema do desemprego, assim sendo achei pertinente descrever os possíveis efeitos psicológicos dessa consequência.

O Desemprego é um período em que a pessoa não possui emprego, seja por despedimento, seja por finalizar do contrato. A “origem” da causa do desemprego, na minha perspetiva não é muito relevante na forma como se vivência o período de desemprego. Atualmente e visto este incontornável problema, são cada vez mais frequentes estudos sobre os efeitos psicológicos deste problema social.

Muitos estudos indicam que a forma mais frequente de gerir as emoções negativas consequentes do desemprego é “recusa-las”. Neste caso, o indivíduo desempregado retrai-se, isolando-se socialmente, ingerindo compulsivamente medicamentos e/ou alimentos. Tentando encontrar estratégias (muita das vezes inconscientemente) para se afastar do problema, como se ele não existisse, como: indo de compras, indo a concertos, etc. Porém este isolamento, provoca que diminua a possibilidade das pessoas conhecerem o seu “problema” e obviamente ser ajudado.

Alguns estudos comparam o luto de uma perda de um parente, com o desemprego, chegando à conclusão que o desemprego influencia-nos mais negativamente que a perda de um parente próximo. A perda de um pode ser inúmeras consequências negativas e muito sofrimento, porém é percecionado como algo externo, no qual não temos qualquer controlo ou culpa. Porém estar desempregado, está frequentemente associado a sentimento de incompetência, culpa. Visto que muitos indivíduos possuem o locus de controlo interno, vêm-se como o único responsável do sucedido, se fosse mais competente ou mais habilidoso possivelmente não aconteceria. Logo as emoções negativas de estar desempregado, iram-se perpetuar no tempo, muitas vezes até influenciando a personalidade do individuo, o que não acontece com a perda de um parente.

Nos jovens o desemprego, pode predispo-los para a marginalidade e criminalidade. Visto elevada necessidade de dinheiro e coisas materiais superar a moralidade, assim os jovens vêm na marginalidade/criminalidade : roubos, prostituição, tráfico de droga, uma forma fácil e rápida de ganhar muito dinheiro.

O Desemprego também pode representar uma predisposição extra, para a depressão e para a passividade. Apresentando sintomas como: irritabilidade, distúrbios psicofisiológicos, problemas digestivos, problemas cutâneos ( Ver Psicosomáticas: Doenças e Sintomas).

O Desemprego, tal como um Novo Emprego, obriga alterações de hábitos de vida e horários do quotidiano, a conhecer e contactar com pessoas diferentes das habituais. Numa palavra, estar desempregado à semelhança de encontrar um novo emprego, obriga a: Mudança. E como sabemos, existe sempre um medo da mudança, associada muitas vezes ao medo do desconhecido que é diretamente proporcional à idade. Logo, frequentemente as pessoas “auto-saboteiam” de forma inconsciente a tentativa de encontrar um novo emprego. Pela postura na entrevista de emprego ou mesmo na interpretação das exigências do novo emprego, bem como na sua auto-eficácia e no seu autoconceito. Tentando converse-se continuamente de que não era um bom emprego ou que não teria o perfil exigido.

A maior descoberta de minha geração é que o ser humano pode alterar a sua vida mudando sua atitude mental.

William James

Temas relacionados: 9 Dimensões para Desenvolver a Criatividade; 12 Crenças Irracionais de Ellis ; 6 Passos para Maximizar o Potêncial de Empregabilidade ; Descodificando o Segredo: Lei da Atração ou Efeito Pigmaleão? ; Entrevista de Emprego: Dicas Fundamentais ; Marketing e Psicologia ; 4 Pilares da Psicologia Comunitária

Siga-nos no Facebook , no Twitter ou no Google+

Autor: Jorge Elói

 

Sem Spam

Para enviar seu comentário, preencha os campos abaixo:

Deixe uma resposta

1 Comentário

  1. Marie diz:

    Olá,
    Bom texto, nomeadamente no que diz respeito á abordagem em relação aos reais efeitos psicologicos do desemprego. Muitas vezes o desemprego é abordado em números e cifras, mas acho tambem pertinente que seja cada vez mais desenvolvido o factor psicologico na abrdagem, hoje mais do que nunca.
    Este texto é muito interessante e gostei muito de o ler, visto que sou uma dessas -infelizmente-muitas pessoas nesta situação. Estou empregada, num emprego temporário, ao que se seguirá, na ausencia de um novo emprego, mais uma situação de desemprego. Isto, após ter passado por um longo periodo de desemprego sem qualquer apoio social, numa familia no limite da linha da pobreza. Tudo isto após uma situação de ter perdido um bom emprego, anos antes, por motivos alheios á minha vontade e apesar da minha eficiencia no trabalho.
    Algo que, não subestimando os mais jovens, tem (como teve para mim) aos 30 anos, um peso substancialmente maior do que aos 20 e poucos. Sente-se literalmente o peso do tempo e da idade, ou seja embora não sendo velha, há um sentimento de ausencia de luz ao fundo do túnel e das paredes a fecharem-se sobre o individuo.
    Concordo em absoluto que seja um luto, um luto que aparenta não ter fim, mais a mais com a perfeita consciencia dos desniveis encontrados nos estratos sócio-economicos cada vez mais marcados em Portugal. A perda do emprego, neste contexto decorrente da crise economica, representa e acentua a absoluta falta de controle do individuo sobre a sua propria vida. O empregado precário tenta, muitas vezes, manter-se á “tona de água” mas vive uma situação de desespero, e qualquer falha, ou reparo do chefe, pode desencadear essa culpa e essa alteração da personalidade, sentindo-se inferior aos outros. No geral, o empregado precário, o estagiário, etc, não se percepciona como outro elemento da empresa. Ele reconhece que o chão pode facilmente fugir-lhe debaixo dos pés e que é facilmente susituido. Se meses antes se sentiu ligeiramente motivado por ter cumprido a sua licenciatura, curso profissional, mestrado, etc, volta a sentir-se dispensável. E que a sua felicidade não tem lugar no mundo (aqui leia-se país, porque vivo em Portugal), literalmente descartavel. Um individuo não é de ferro. Eu não o sou. Tive sonhos e projectos pessoais que nem sequer implicavam grande ordenado, mas um ordenado decente e uma profissão sólida. Já para não falar das frases “chavão” que tem de ouvir. “Há casos piores” – esta é das piores que há. Se todos pensássemos assim, a humanidade tinha estagnado na idade da pedra. Somos humanos. Queremos conhecer, viver e experienciar momentos que não sejam o simples arrastar se com terror a caminho da empresa com medo de um momento para o outro sermos dispensados e ficar perdidos no vazio. Muitos de nós não pretendem apenas sobreviver de pão e água. Gosto de natureza, arte e cultura. Algo que cada vez mais é um produto de “luxo”, quando na realidade, é realização pessoal. A clivagem socio-economica sente-se violentamente. O “rico” tem direito á natureza, ao desporto, á felicidade. O pobre serve para servir. O que interessa se tem sonhos, se quer aprender um instrumento musical, por os filhos a aprender arte? É pobre…é como uma especie de racismo. É assim que se percepciona a piramide do mercado de trabalho. O chefe, o patrão, o director, o CEO, é visto por vezes de forma aterradora, por mais simpatico que seja, teme-se o dia em que ele diz “temos de reformular o orçamento, vamos ter de o dispensar” O medo, permanente, enfraquece e molda o individuo outrora confiante. As buscas incessantes de emprego não se aguentam para sempre. Um dia tambem eu me cansei e desisti e só muito exceionalmente é que voltei a tentar. Consegui, com muita dificuldade e desespero, mas será só por algum tempo e o medo de este acabar antes do tempo previsto é um pesadelo presente. O individuo sente-se subserviente e está disposto a tudo, por medo, e quando erra, sente-se aterrorizado. E isto, vai-se tornando em angustia, depressão e consequencias fisicas, que podem dar origem a longo prazo, a doenças graves.
    Um texto interessante sobre a forma de comportamentos perante o trabalho está neste site que indico abaixo, onde eu conseguiria ver a atitude confiante de um trabalhador noruegues, por exemplo (A prospera noruega é tambem altamente nivelada e equalitaria na forma como os niveis hierarquicos se relacionam no emprego) e o outro seria, por exemplo, o portugues. Desesperado, disposto a tudo e subserviente…por medo!
    http://volunteeralberta.ab.ca/intersections/staff/building-cultural-knowledge/cultural-values-power-distance-hierarchical-egalitarian