Quantas vezes acontecimentos e relacionamentos na nossa vida se repetem vezes sem conta, da mesma forma sem conseguirmos perceber porquê? Será que contribuimos para que isso aconteça?

Já se parou para pensar porque nas suas relações atrai sempre o mesmo tipo de pessoas? Ou mesmo no trabalho, independentemente da função, do local, das pessoas, surgem dinâmicas e situações sempre muito semelhantes?

As suas antigas relações têm todos personalidades e “defeitos” semelhantes? Simples coincidência ou algo mais? Nada acontece por acaso, mas isso não implica necessariamente “Destino” ou “Karma”, estas coincidências devem-se a padrões interiorizados.

Padrões Familiares

Durante o nosso crescimento, educação, somos “ensinados” de forma explícita, mas principalmente implícita como as pessoas se relacionam, fundamentalmente com a relação Pai-Mãe. Tendo em conta que será a relação mais próxima de nós (filhos), dependendo de “abertura” da família para o exterior, para muitos filhos poderá ser o único exemplo de relação que irão conhecer.

Quando não se conhecem outros exemplos, a realidade dificilmente é questionada, portanto é aceite, tal como ela é. Porque será vista como “Normal”. Independente da disfuncionalidade que possa existir.

Perfil de Necessidades

Paralelamente durante o nosso crescimento e desenvolvimento, temos um conjunto de necessidades de afeto, de reconhecimento, de segurança, de realização, etc. (como podemos ver nas necessidades de Maslow neste Post ). Cada um de nós terá algumas necessidades “mais saciadas” e outras “menos saciadas”, dependendo de inúmeros fatores como: da educação; do ambiente social, económico e cultural; das relações estabelecidas; do nosso autoconhecimento; etc.

Esse “perfil” de necessidades, vai originar motivações e desejos, de forma a que inconscientemente essas necessidades negligenciadas sejam saciadas.

Contudo, se a felicidade vem do interior, não devemos procurar no outro o que nos falta. Pois todas as formas de relacionamento originadas nessas motivações e desejos de necessidades negligenciadas, não vão ser saudáveis, tendo muitas vezes consequências contrárias a médio longo prazo.

Os nossos relacionamentos surgem por uma combinação dos Padrões Familiares e o nosso Perfil de Necessidades e não por coincidência.

De que forma isso ocorre?

Por vezes surgem indivíduos que quer os padrões familiares, quer o perfil necessidades se complementam. Posso dar exemplos claros: alguém com necessidade de afeto, que faz tudo por se sentir amado, poderá facilmente relacionar-se com alguém extremamente dependente, com necessidades de atenção e reconhecimento. Nunca atrairia ou iria-se interessar por uma alguém independente, seguro e confiante.

Outro exemplo claro, é o fato de uma grande percentagem das vítimas de violência doméstica, o pai era violento com a mãe e muitas vezes também com ela ou não tiveram pai presente. Quer de uma forma, quer de outra, a realidade de violência não era questionada, já que não conheciam outra diferente.

A curto, médio prazo a pessoa pode sentir-se bem com ela própria e com o outro, porém como ambos têm “carências”, vão-se “alimentando” mutuamente, mas nunca estarão “saciados”, pois a carência é interna e não externa. A longo prazo, vão sentir-se mal com o outro e consigo mesmos, acabando a relação ou resignarem-se à infelicidade.

Mas nada é determinista, com auto-conhecimento, compreendendo-nos a nós próprios, percebendo as nossas necessidades, motivações e as suas origens. Sendo inconsciente, para muitas pessoas poderá ser complicado “compreender-se”, já que pode implicar reconhecer aspetos menos bons.

Apenas dentro de si, encontrará o caminho para o que lhe falta. Porém alguns relacionamentos podem “ser terapêuticos”, já que podem ajudar a pessoa a encontrar-se a si própria, mais de que tentar dar à pessoa lhe falta, pois nunca será o suficiente.

E você, têm azar com os relacionamentos? Será que pode estar a contribuir para isso?

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