A Depressão é atualmente dos distúrbios psicológicos mais conhecidos e mais predominantes na população. Mas como se desenvolve? Qual a sua origem?

A Depressão segundo o DSM-IV é conhecida como perturbação depressiva major ou transtorno depressivo maior, está diretamente relacionada com sintomas como:

  • Diminuição ou extinção da capacidade de ter prazer, por consequência diminuição das atividades de prazer;
  • Ideias e comportamentos auto-destrutivas ou suicidas;
  • Humor deprimido: sentimentos de irritabilidade com frequência, desânimo, culpa, vazio, tristeza profunda, baixa autoestima, baixa autoeficácia, sentimento de incompetência ou inutilidade;
  • Diminuição das capacidades cognitivas como: o raciocínio, a atenção, a memória, o planeamento e a tomada de decisões;
  • Sensação de cansaço ou perda de energia;
  • Alterações no sono;
  • Alterações no apetite e consequentemente no peso;
  • Isolamento social;
  • Lentificação ou agitação psicomotora;
  • Emoções à “flor da pele”;
  • É possível alguns delírios.

Quanto à origem a depressão pode ser endógena ou exógena, isto é, pode ter origens em alterações fisiológicas e biológicas da pessoas ou então pode ter origens na vivência e experiencia da pessoa. Por outras palavras, há depressões biológicas ou psicológicas. Contudo perante esta caracterização e distinção face à origem é esquecido que a biologia e a psicologia num individuo se influenciam mutuamente. As nossas experiencias podem alterar a nossa fisiologia e neurologia, e a biologia pode influenciar a forma como experienciamos as coisas, logo esta distinção não parece adicionar informação ou contribuir de alguma forma para o seu tratamento.

Não existe então unanimidade quanto às causas, acredita-se que é o resultado de uma combinação de uma serie de variáveis, como: a genética, a alimentação, o estilo de vida, stress, experiências traumáticas.

Não importa o que vivemos, mas sim, como vivemos. É na parte de “como vivemos” determinado acontecimento, que os vários fatores acima descritos irão influenciar.

Quanto à prevalência, estima-se que aproximadamente um quarto da população mundial em algum momento da vida sofre ou irá sofrer de depressão. É mais frequente em pessoas com idades compreendidas entre 24 e 44. Em crianças a prevalência de depressão pode atingir os 3% e em adolescentes aproximadamente 12%. Quanto ao risco de desenvolver depressão ao longo da vida, as mulheres têm o dobro da probabilidade que o homens. Curiosamente fatores como a temperatura e a pressão atmosférica parecem estar associados não apenas ao risco de desenvolver, como também o agravamento dos sintomas.

A Organização Mundial de Saúde prevê que em 2020 a depressão será a segunda causa de morte ao nível mundial, logo após as doenças cardiovasculares. Isto porque as pessoas com depressão têm uma taxa de suicídio 30 vezes maior que a população em geral.

O tratamento da depressão não é consensual, nem o efeito dos antidepressivos é reconhecido unanimemente. Pessoalmente, discordo completamente com tratamentos unicamente medicamentosos, já que os medicamento não curam, controlam os sintomas. Logo quando se param de tomar, todos os sintomas voltam novamente. Além de que, por tolerância do organismo, vai ser necessário de cada vez mais dosagem para controlar os mesmos sintomas, tornando um círculo vicioso cada vez mais perigoso. Quanto aos antidepressivos, o seu efeito é continuamente questionado por diversos estudos, já que são muito semelhantes aos resultados com efeito placebo.

O que me parece ter mais sentido no tratamento, é um acompanhamento psicológico e ao mesmo tempo acompanhamento medicamentosos, porém no controle dos sintomas cognitivos, já que a psicoterapia para ser “consolidada” e “interiorizada” necessita de atenção, raciocínio, memória, etc. tal como qualquer outra aprendizagem. Logo, se não forem garantidas as capacidades cognitivas, o efeito da psicoterapia será reduzido ou quase nulo.

A Depressão muitas vezes é confundida pelas pessoas que nunca vivenciaram e desconhecem a perturbação com simples humor triste, porém é muito mais que isso. Popularmente, pelas pessoas que desconhecem esta perturbação, a depressão é vista como um problema que é possível superar sozinho, é vista como fraqueza, como se a pessoa fosse responsável. O que provoca uma inibição na procura de ajuda e consequentemente o agravamento dos sintomas.

No surgimento de sintomas, procure ajuda!

E você, já teve depressão? Procurou ajuda?

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