Todos nós temos recordações do passado. Memórias de momentos, das nossas vitórias e das nossas derrotas! Esses momentos estão sempre lá, eles contribuem para sermos o que somos. Se esses momentos estão sempre presentes, porque é que há ocasiões que somos incapazes de recordar as nossas vitórias?

É inegável que todos nós temos vitórias e derrotas no nosso passado, contudo por vezes apenas conseguimos ver as derrotas. Isso não se deve, em momento algum, ao facto de as derrotas serem mais “pesadas”, ou terem mais impacto que as vitórias.

A nossa Memória, apesar de muitas vezes a compararmos com a memória de um computador, não funciona de forma assim tão linear. Ela é influenciada por inúmeros factores, muitos dos quais, longe de serem objectivos, sem falar do facto que possuimos vários tipos de memória.

A memória é influenciada pelo humor, que por sua vez influência o processo cognitivo de atenção. Esta interdependência destes processos é a responsável por “vermos apenas o que queremos ver”! Imaginem que o processo de atenção é um foco de luz, o registo da memória um filme, enquanto o humor “decide”para onde dirigir o foco de luz. Assim, sem querermos, podemos ter o foco dessa luz apontado para os momentos menos bons.

Só vimos o que decidimos consciente ou inconscientemente ver. Este processo é facilmente verificável empiricamente. Quantas vezes depois de comprar algo, reparamos que todo o mundo tem algo semelhante, ou quando passamos por um momento reparamos que muitas pessoas á nossa volta estão a passar ou já passaram por momentos semelhantes? Facto que até ao momento, nunca tinhamos reparado.

As vitórias e derrotas estão sempre lá! Tanto nas pessoas que sofrem de depressão, como nas pessoas felizes. Tanto nos optimistas, como nos pessimistas. A diferença é que enquanto as pessoas que sofrem de depressão e os pessimistas, dão enfase às derrotas, as pessoas felizes e optimistas dão enfase às vitórias. Enquanto uns vêm o copo meio vazio, outros vêm o mesmo copo, meio cheio!

Assim, é claro que o nosso humor influência a forma como vimos a nossa memória, como vimos o mundo, até mesmo como nos vimos a nós próprios. O nosso humor “decide”, inconscientemente, para onde dirigir o foco, a luz, a importância.

A mesma pessoa no momento agudo de depressão, é possivel que descreva o seu passado como “um mergulho na escuridão”. Meses depois desse momento agudo, é possivel que descreva “algumas luzes”. Porém o que alterou não foi o passado, nem a memória, mas o foco, a forma como olhava para o passado.

E você como olha para o passado? Mais “luz”, ou “Escuridão”?