Quando falamos de educação falamos de pais, professores e filhos. É óbvio que os pais tentam educar os filhos por igual, tal como alguns filhos querem-se convencer e fazer acreditar que ambos os pais são iguais. Tal como é suposto os professores verem todos os alunos por igual. Mas será que é possível?

Na educação os pais tentam ser neutros, tentando dar a mesma educação para ambos os filhos, afirmando muitas vezes que o fazem. O mesmo acontece com muitos professores, afirmando que todos os alunos têm para si a mesma importância. Mas acreditem ou não, não existem duas “educações” iguais, tal como não existem dois filhos iguais.

A educação, não se resume às medidas que os pais e professores tomam face a um filho e/ou aluno, mas a toda a realidade que envolve a criança. Pois todos os elementos que a envolvem influenciam inevitavelmente directa ou indirectamente  sua educação. É necessário ter em conta a realidade que envolve o educando, todos os contextos e sub-contextos, tal como o modelo bioeconómico do desenvolvimento do ser humano de Bronfenbrenner.

Quantas vezes os pais questionam-se porque dois filhos são tão diferentes, sem se aperceberem que a educação, a realidade que os envolvia era necessariamente diferente. Além de que é impossível não ter expectativas, e o facto de ir ou não de encontro às expectativas fazem com que os pais, se identifiquem ou não, se aproximem ou não, fazendo que inconscientemente “gostem mais” ou “gostem menos”. É difícil não ter expectativas, sendo assim, é importante ter consciência dessas mesmas expectativas, através de auto-conhecimento.

Por exemplo: imaginamos um simples facto, que um pai tinha a expectativa que o filho fosse jogador de futebol, o filho vai aos primeiros treinos e aparentemente o filho parece não ter aptidão para o futebol. O pai, sem esperar pelo ritmo de aprendizagem e de aquisição de competências do filho, fica decepcionado, mostrando ao filho essa mesma decepção, de forma directa ou indirecta, consciente ou inconsciente. O filho ao ver que mesmo esforçando-se ao máximo, não consegue atingir a meta que o pai tinha definido para ele, desiste. Levando-o a um sentimento de ambivalência entre a procura de reconhecimento e o facto de não se importar minimamente. Ficando confuso, revoltado, procurando o reconhecimento  noutro local, procurando encher o vazio deixado pelo pai, com outra coisa.

Neste simples exemplo, podemos verificar o que uma expectativa não concretizada pode desencadear. Como é óbvio cada pessoa é diferente, isto é apenas um exemplo levado ao extremo. Além de que jogador de futebol é um simples exemplo, pois poderia ser outra profissão, tarefa ou actividade qualquer.

É fácil de imaginar o que seria se um filho fosse de encontro às expectativas e outro que não concretizasse as expectativas. Existiriam dois filhos completamente distintos. Ter consciência de como a educação é importante na construção de um ser, é um passo para educar bem. O próximo passo seria ter consciência das expectativas, das “projecções”, da falta de auto-conhecimento, que influencia a nossa percepção do outro, neste caso, do filho.

Só o facto de ser o primeiro ou o ultimo filho faz toda a diferença. No primeiro normalmente os pais cometem mais erros, são mais intolerantes, mais facilmente se decepcionam com o filho, mais medos têm. Já os últimos filhos, os pais já conhecem melhor as suas competências de pais e também conhecem um pouco melhor as “crianças”, como elas reagem, aprendem, etc. Sendo tendencialmente mais pacientes e compreensivos.

O mesmo acontece com os professores, têm expectativas e projecções. Fazendo que existam alguns alunos que vão facilmente ao encontro às expectativas do professor, levando-os a serem “mais preferidos”.

O contexto, relacional, social, económico, educacional, pessoal, entre outros, são factores que influenciam a personalidade de cada criança. Existem pré-disposições genéticas, é evidente, têm a sua força e relevância. Porém a educação tem um papel mais importante na personalidade e na forma de ser de cada um.

Esteja consciente da educação!

E você, educa de forma consciente?