O conceito de vinculação é um conceito relativamente recente, porém veio revolucionar o desenvolvimento, a educação e a forma como nos vemos a nós próprios.

A teoria da vinculação foi desenvolvida na década de 1950 por John Bowlby, esta teoria veio “complementar” a visão que temos sobre o ser humano, dando uma ênfase especial às relações interpessoais. Assim sendo, vai de encontro às teorias de Freud, Piaget, Vygotsky, Erickson entre outros, já que as perspectivas destes destacam a extrema importância das relações e ao papel fundamental que estas têm no desenvolvimento.

Segundo esta teoria o ser humano ( e não só) tem necessidade/capacidade de estabelecerem uma relação afectiva e emocional desde o nascimento, com o adulto mais próximo que lhe proporciona cuidados básicos, assegurando-lhe a sobrevivência. Este processo muitas vezes assemelha-se a um instinto de sobrevivência, na medida que é um processo que foge totalmente a toda e qualquer consciência ou pensamento. A vinculação surge como algo inato, essencial para a sobrevivência, é algo automático e instintivo, possivelmente tendo origem na nossa fragilidade nos primeiros anos de vida. Estamos assim “programados” a estabelecer laços emocionais com a pessoa mais próxima de nós, de forma a garantimos a sobrevivência.

A vinculação situa-se temporalmente paralela com o período inicial em que a criança explora o mundo à sua volta. Assim, a vinculação servirá como veiculo para essa mesma exploração, a vinculação definirá a forma como a criança irá explorar o meio que a rodeia. Desta forma o papel do adulto nesta fase inicial de extrema importância, pois a vinculação irá definir muitos traços da personalidade da criança e consequentemente do futuro adulto.

A função do adulto na vinculação é ser um bom “porto de abrigo”, permitindo à criança explorar o meio por ela própria. A função do adulto é algo complexa, pois tem que estabelecer um equilíbrio, entre a segurança/protecção e a autonomia. O adulto deve segurança/ protecção necessária para que a criança possa enfrentar o meio e este não parecer hostil, ao mesmo tempo o adulto deve promover autonomia, não protegendo demasiado, permitindo o erro e as aprendizagens consequentes.

A vinculação é uma duma relação assimétrica. Ainsworth clarificou a vinculação com base nos seguintes critérios:

  • É persistente e não transitória;
  • Envolve uma figura específica e reflecte uma atracção que um individuo tem por outro indivíduo;
  • Trata-se de uma relação emocionalmente significativa;
  • O indivíduo deseja manter a proximidade ou contacto com essa figura, ainda que tal possa variar em função de vários factores, como a idade, o estado do indivíduo ou as condições do meio;
  • O indivíduo experiencia uma certa perturbação face a uma situação de separação involuntária e, sobretudo, quando deseja a proximidade e tal não lhe é possível.

A relação de vinculação distingue-se das outras relações sociais por quatro características:

  • Reacções marcadas perante a separação involuntária.
  • Sentimento de segurança.
  • Comportamento de refúgio.
  • Procura de proximidade

Tipos/Estilos de Vinculação

Vinculação Segura:

  • A criança utiliza a mãe como base de segurança a partir da qual explora o meio.
  • A criança chora com pouca frequência no entanto, nos momentos de separação mostra-se perturbada e não é reconfortada por outras pessoas.
  • Nos reencontros com a mãe, a criança saúda-a activamente, sinaliza-a e procura o contacto com ela.
  • Existe equilíbrio entre os comportamentos de vinculação e de exploração.

Vinculação Insegura Ambivalente:

  • A criança permanece junto da mãe, aparenta alguma ansiedade e explora pouco o meio.
  • Nos momentos de separação a criança mostra-se muito perturbada.
  • Nos reencontros com a mãe o comportamento da criança pode alternar, entre tentativas de contacto e contacto com sinais de rejeição (empurrar, pontapés…).
  • Após o reencontro com a mãe, a criança fica vigilante.
  • Os comportamentos de vinculação predominam face aos comportamentos exploratórios.

Vinculação Insegura Evitante:

  • A criança permanece mais ou menos indiferente quanto à proximidade da mãe e entrega-se à exploração do meio.
  • Na ausência da mãe a criança pode chorar ou não e, se ficar perturbada é provável que outras pessoas a consigam reconfortar.
  • Nos reencontros com a mãe, a criança desvia o olhar e evita o contacto com ela.
  • Os comportamentos exploratórios prevalecem face aos comportamentos de vinculação.

Vinculação Desorganizada:

  • O comportamento da criança parece não ter um objectivo claro ou uma explicação.
  • A criança executa movimentos incompletos, estereotipados e paragens.
  • A criança manifesta medo da mãe e alguma confusão ou desorientação.

A Vinculação vai definir alguns traços da criança e consequentemente repercutir-se no futuro adulto. Esta pode ser considerada uma “pré-educação”, já que antecede à educação propriamente dita. A interacção da criança na educação depende muito da sua vinculação. Desta forma os agentes educativos terão um papel mais activo no desenvolvimento e na construção da personalidade dos seus educandos.

E você, como foi a sua vinculação?