Luto: 5 Fases Fundamentais

29 de junho de 2012 por: Jorge Elói

Luto √© uma palavra que acompanha o ser humano desde sempre, principalmente quando perdemos algu√©m de quem gostamos muito. √Č uma esp√©cie de despedida for√ßada e para sempre. Mas afinal o que √© o luto? Como se processa? √Č mesmo necess√°rio esse doloroso processo?

O luto é um processo necessário e fundamental par preencher o vazio deixado por qualquer perda significativa não apenas de alguém, mas também de algo muito importante, como um objeto, uma viagem, um emprego, uma ideia, etc.

O processo de luto d√°-se tanto em humanos como animais. Nos humanos o processo de luto √© acompanhado por um conjunto de sentimentos, entre os quais: tristeza, raiva, culpa, ansiedade, solid√£o, fadiga, desamparo, choque, anseio, torpor, al√≠vio e emancipa√ß√£o. Refletindo-se em sintomas f√≠sicos de vazio no est√īmago, aperto no peito, n√≥ na garganta, falta de ar, falta de energia, boca seca entre outros.

O luto/perda normalmente passa por 5 fases:

A negação- Surge a primeira fase do luto, é no momento que nos parece impossível a perda, em que não somos capazes de acreditar. A dor da perda seria tão grande, que não pode ser possível, não poderia ser real.

A raiva ‚Äď A raiva surge depois da nega√ß√£o. Mas mesmo assim, apesar da perda j√° consumada negamo-nos a acreditar. Pensamento de ‚Äú porque a mim?‚ÄĚ surgem nesta fase, como tamb√©m sentimentos de inveja e raiva. Nesta fase, qualquer palavra de conforto, parece-nos falsa, custando acreditar na sua veracidade

A negocia√ß√£o- A negocia√ß√£o, surge quando o individuo come√ßa a por a hip√≥tese da perda, e perante isso tenta negociar, a maioria das vezes com Deus, para que esta n√£o seja verdade. As negocia√ß√Ķes com Deus, s√£o sempre sob forma de promessas ou sacrif√≠cios.

A depress√£o ‚Äď A depress√£o surge quando o individuo toma consci√™ncia que a perda √© inevit√°vel e incontorn√°vel. N√£o h√° como escapar √† perda, este sente o ‚Äúespa√ßo‚ÄĚ vazio da pessoa (ou coisa) que perdeu. Toma consci√™ncia que nunca mais ir√° ver aquela pessoa (ou coisa), e com o desaparecimento dele, v√£o com ela todos os sonhos, projetos e todas as lembran√ßas associadas a essa pessoa ganham um novo valor.

A aceita√ß√£o ‚Äď √öltima fase do luto. Esta fase √© quando a pessoa aceita a perda com paz e serenidade, sem desespero nem nega√ß√£o. Nesta fase o espa√ßo vazio deixado pela perda √© preenchido. Esta fase depende muito da capacidade da pessoa mudar a perspetiva e preencher o vazio.

As fases do luto, não possuem um tempo predefinido para acontecerem. Depende da perda e da pessoa. Porém sabe-se que a que leva mais tempo é da fase da depressão para a fase de aceitação, algumas pessoas levam décadas de vida e outras nunca conseguiram aceitar com serenidade a perda. Acontece principalmente no caso de perda de um filho.

Devemos sempre valorizar o que temos, enquanto o temos. Pois n√£o sabemos quando o vamos deixar de ter. Curiosamente muitas vezes s√≥ nos apercebemos da import√Ęncia de determinada pessoa ou coisa, quando a perdemos, porque o valor dessas pessoas ou coisas dilui-se no valor das coisas que a rodeiam. Essas pessoas ou coisas s√£o t√£o subtis ao valorizarem o ambiente envolvente, que o seu pr√≥prio valor divide-se entre tudo o que a rodeia, tornando-se quase impercet√≠vel. Por√©m quando a perdemos, n√£o a perdemos apenas a ela, mas muito do valor das coisas que a rodeavam e √© a√≠ que notamos a sua falta.

Metaforicamente falando, como se o ambiente que a envolvia ‚Äúentristecesse‚ÄĚ e ‚Äúperdesse a cor‚ÄĚ, e dificilmente voltar√° a ser como era.

E você, passa por estas fases nos seus Lutos?

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Autor: Jorge Elói

Jorge Elói

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Residente no distrito de Leiria. Fundador e Criador do Espa√ßo Psicologia Free. Licenciado em Psicologia, Mestre em Psicologia da Educa√ß√£o, Hipnoterapeuta Certificado, Certificado Internacional em Coach, Formador. Conhecimentos de programa√ß√£o e Webdesigner. Experi√™ncia na √Ārea de Marketing e Comercial. Adora jogging, futebol, xadrez, aprender e uma boa conversa. Curioso, criativo e empreendedor!


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Comentarios

19 Comentaram “Luto: 5 Fases Fundamentais”
  1. marcia santos disse:

    ola gostaria de disser que viver este luto por minha mae que morreu de cancer,e te que cuitar dela ,ate final, tive depressao mais Deus veio ocupudado este espaço junto com minnha nova filha é dificíl sim mas Deus tem tudo preparo,mas com é um dor que doi muito,é inegavel que é ruim mas temos que ir sobrevivendo.se nao desfalecemos nas proprias tristeza.beijos marcia

    • Marcia, obrigado pelo coment√°rio e pela partilha. No momento do luto ficamos com um vazio que aparentemente n√£o conseguimos compreender como √© poss√≠vel preenche-lo de novo.Por√©m √© necess√°rio dar espa√ßo √°s coisas que nos fazem bem e que nos d√£o prazer, isso ajuda a nossa dor e ajuda a preencher esse espa√ßo vazio. Como referi num artigo anterior, n√£o √© o papel da psicologia dizer se Deus existe ou n√£o, contudo acreditar em Deus faz-nos bem (Artigo), e s√£o ineg√°veis os seus benef√≠cios. √Č necess√°rio ter for√ßa e continuar o nosso caminho, apesar de todos os obst√°culos e desgostos. Obrigado pela partilha, espero que o texto a tenha ajudado. Continue connosco! Volte sempre. Estaremos consigo!

  2. Magdiel disse:

    Olá. Não sei a formação ou linha teórica do autor, mas se possível, coloque também um tópico sobre o processo de luto de acordo com a psicanálise, seguindo o processo de introjeção, direcionamento da libido e etc. Também é mto interessante. Obrigado!

    • Boa Noite Magdiel, agrade√ßo a sua interven√ß√£o. O modelo de onde foi retirado estas 5 fases, foi de um modelo proposto por Elisabeth K√ľbler-Ross, caso tenha curiosidade. √Č muito aceite devido √† extens√£o da sua aplicabilidade, isto √©, n√£o se aplica apenas √† perda de pessoas, mas tamb√©m √† perda de “coisas” importantes, f√≠sicas ou psicol√≥gicas, como √© o caso especifico da perda de objetivos. Agrade√ßo a sua sugest√£o, e num futuro pr√≥ximo irei certamente descrever o processo de luto da perspetiva da psican√°lise. Mais uma vez obrigado pela intervers√£o. Volte sempre! Uma continua√ß√£o de boa semana!

  3. Letícia Gondim disse:

    Boa tarde. Gostaria de saber se o luto tem cura?

    • O luto √© quase que um “momento” obrigat√≥rio depois de uma perda. A tend√™ncia √© para a recupera√ß√£o/supera√ß√£o, por√©m existem in√ļmeros fatores externos, mas principalmente internos que interv√™m na dura√ß√£o deste “momento”. Os recursos internos que a pessoa possui s√£o fundamentais e normalmente suficientes para a supera√ß√£o do mesmo, por√©m em alguns casos podem n√£o chegar. Nestes casos, podem dar origem a casos de depress√£o ou at√© mesmo psicose (em casos extremos). Assim sendo, √© necess√°rio uma ajuda de um profissional qualificado. Espero ter respondido √† sua quest√£o!

  4. Jacqueline Fuentes disse:

    Eu passei por uma experi√™ncia muito dolorosa para a morte de minha irm√£, mas ela era a mais otimista e alegre de todos, pouco mais de dois meses depois de sua morte, em um acidente de carro eu n√£o posso ainda acreditar, eu acho que ela √© viajar e, a qualquer momento vai voltar. Mas d√≥i mais ver o sofrimento dos meus pais e me pergunto … por que n√£o fui eu quem morreu? Ela era a pessoa que cuidava deles, por√©m eu sou doente por quatro anos e eu n√£o posso cuidar deles. Como √© dif√≠cil viver

    • Patricia disse:

      Eu tb tive um irmão que desencarnou. No inicio foi muito difícil, sofrido. Ficava perguntando por que não eu.Hoje tento ser resignada mas ativa pois minha família precisa de mim. Sei tb que as vezes me irrito, fico triste pois são muitas questoes; tento me melhorar . Procurei ajuda no Kardecismo e lá encontrei algmas respostas.Me sinto mais fortalecida. Com o TEMPO a dor vai diminuindo. O trabalho social tb ajuda muito nem que seja conversando ou ouvindo qem tá em situação parecida. Muita luz e força.

  5. SIMONE disse:

    Perdi minha mãe há três anos e passei por cada uma dessas fases. Não acreditava que Deus tinha deixado aquilo acontecer, que tinha me abandonado, não parecia ser verdade. Pedi para tudo ser um engano e ele trazer ela novamente. Quando percebi que realmente tinha acontecido meu mundo caiu. Chorei muito, senti uma perda terrível, uma dor física e na alma. Depois aos poucos fui entendendo, voltando pra Deus, hj sinto saudades mas não dói como antes.

    • Antes de mais, agrade√ßo a sua visita e a sua partilha. O luto √© uma fase “dura” que requer muito dos nossos recursos internos, muita maturidade emocional. Mas pelo que descreve, parece que est√° a conseguir. Espero que continue no bom sentido, pois √© por a√≠ que √© o caminho! Obrigado mais uma vez pela partilha, continue acompanhando-nos! Boa continua√ß√£o!

  6. Ingrid disse:

    Boa noite, Jorge. Vai fazer dois meses que meu pai faleceu, um atleta, cheio de vida e sonhos, um homem de 61 anos, teve uma endocardite cr√īnica que em oito dias o levou ao √≥bito.
    Tem sido bem dificil pra mim, me considero na primeira fase ainda, quase entrando na segunda…. acredito que realmente seja necess√°rio passar por todas elas, √© horr√≠vel quando algu√©m te diz pra n√£o chorar, que vai ficar tudo bem…. na minha opini√£o o que sinto n√£o vai passar nunca, vai amenizar a medida em que se aprende a conviver com a aus√™ncia.

    • Agrade√ßo desde j√° a sua partilha, pois muitas vezes √© dif√≠cil partilharmos o sofrimento. O Luto, como referi pode ser aplicado em qualquer perda, por√©m quando s√£o pessoas pr√≥ximas, sobretudo filhos e pais, √© uma dor extrema, muitas vezes quase imposs√≠vel de descrever. Um dos fatores que influencia o decorrer do luto √© a espectativa. √Č-nos mais f√°cil aceitar algo para o qual estamos preparados ou esperamos, muito mais dif√≠cil quando √© algo s√ļbito como o que descreveu. Como referiu, no inicio √© quase imposs√≠vel vermo-nos sem esse sofrimento, mas com o tempo vamos aceitando-o e aprendendo a viver com ele. Mas essa “supera√ß√£o” pode levar meses, anos ou d√©cadas. Obrigado mais uma vez pela partilha, volte sempre!

  7. Andressa Brazuna disse:

    Perdi meu irm√£o, um policial que foi chamado pelo seu comandante de INCORRUPT√ćVEL, foi dado como o orgulho do batalh√£o, e era apenas um singelo soldado, por√©m, declarado por todos como um POLICIAL EXEMPLAR. Aos 34 anos, sem ao menos ser api ainda, seu maior sonho, morreu em servi√ßo, em ato de bravura, com uma bala que atravessou a axila e saiu pelo pulm√£o, tirando seu condicionamento para a respira√ß√£o. Ap√≥s a apreens√£o de dois bandidos, a comunidade de op√īs aquela apreens√£o e o apedrejou, qdo dois motoqueiros dispararam um √ļnico tiro letal, n√£o houve chance de sobrevida, quando recebi a not√≠cia ele j√° havia dado entrada no hospital e em quarenta minutos havia falecido, eu nem soube da sua passagem pelo hospital, soube diretamente de seu √≥bito, e isso faz apenas duas semanas, tinhamos uma liga√ß√£o muito forte, at√© mesmo espiritualmente falando, ele era meu melhor amigo, meu bb, eu tinha ele como um filho, tenho confundido realidade com fantasia e gostar√≠a de saber que fase √© essa que eu ainda n√£o identifiquei? E como posso trabalhar para melhorar? Porque h√° dias que chego a acreditar que estou dentro de um pesadelo, que vou acordar e tudo vai passar…

    • Agrade√ßo desde j√° a sua partilha e participa√ß√£o! Pois partilhar “dores” √© sempre complicado. Pelo que me contou, est√° confundindo a “fantasia e a realidade”, por dias chega a acreditar que est√° dentro de um pesadelo, que a qualquer momento tudo vai passar e vai acordar, e tudo estar√° bem, est√° claramente ainda na primeira fase, de Nega√ß√£o. Pois n√£o aceita ainda o que acontecei, por ser extremo sofrimento √©-lhe dif√≠cil aceitar tudo o que aconteceu, da√≠ muitas vezes Negar, de forma subtil e inconsciente, confundindo a realidade com a fantasia, acreditando que vive um pesadelo. O c√©rebro humano prefere uma realidade coerente a uma realidade real, quando existe um extremo sofrimento, t√£o grande que supera a coer√™ncia da nossa realidade, o c√©rebro cria estrat√©gias de gest√£o dessa ang√ļstia, construindo fantasia, onde esse sofrimento n√£o existe ou n√£o faz sentido. Obrigado pela partilha. Espero ter sido claro.

  8. Carla disse:

    Minha madrasta, a quem amava profundamente, partiu. Ela estava longe de mim, n√£o vivo no Brasil.
    Dez dias depois, o homem que eu amava, partiu também. Morreu aqui. Haviamos terminado nossa união de 8 anos e ele tinha começado um novo relacionamento. Apesar disso, na ante-véspera, me telefonou pra dizer que havia se arrependido em algumas escolhas que fêz.
    Sentia a dor pela perda da minha querida madrasta, quando fui avisada da morte dele e n√£o pude me dar ao ‚Äúluxo‚ÄĚ de sentir nada, tive muitas coisas pra resolver, apoiar seu filho nas gest√£o dos obs√©quios, incluindo escolher as flores que ornamentariam o caix√£o daquele por quem meu cora√ß√£o ainda sangrava.
    Fiquei anestesiada, mas não entorpecida. Hoje, 4 mêses depois, tenho tido depressão e apatia, mas não culpei o universo por nada do que houve.
    N√£o sei se atropelei alguma fase mas me sinto em luto ‚Äún√£o autorizado‚ÄĚ (com rela√ß√£o √† ele). √Č muito doloroso.
    Quanto à ela, procuro não pensar em como será a minha ida ao Brasil, o vazio que ela deixou é muito grande.

    • Agrade√ßo o seu interesse pelo nosso espa√ßo e claro a sua partilha. Como referi anteriormente cada ser humano √© √ļnico, logo, para um pode demorar anos a passar as fases de luto, enquanto para outros, apenas momentos. Refere que est√° com depress√£o e apatia, possivelmente estar√° na 4¬™ fase de luto, A DEPRESS√ÉO! Cada pessoa gere as coisas √† sua maneira, umas preferem sentir no momento, outras como voc√™, n√£o se permitem sentir. Contudo, na minha perspetiva, p√īr a realidade de lado √© uma forma pouco eficiente de resolver os problemas/sofrimento, pois na verdade n√£o resolve, s√≥ adia e faz crescer o sofrimento problema. Metaforicamente falando, imagine que tinha um jardim, e de s√ļbito quando menos espera, surgia uma praga de insetos devorando/estragando umas flores do jardim, voc√™ pode tratar de imediato com o jardim confrontando-se com as flores estragadas ou evitar essa confronta√ß√£o, adiando o tratamento do jardim, por√©m correndo o risco dos insetos continuarem a devorarem o jardim. Assim, posteriormente quando se confrontar com as flores estragadas, ser√£o muitas mais… e o sofrimento ser√° maior. Na minha perspetiva, a pessoa deve resolver as situa√ß√Ķes o mais r√°pido poss√≠vel, pois elas v√£o crescendo, at√© ao ponto de superarem a nossa capacidade de as resolver.
      Pelo que percebi parece que passou as primeiras fases muito r√°pido, por√©m parece que esta 4¬™ fase ir√° lhe levar mais tempo, mas acredite que vai conseguir. N√£o atropelou nenhuma fase de luto, cada pessoa √© √ļnica, n√£o se pode ent√£o julgar como cada um gere o seu sofrimento. Para si, devido a fatores externos e de situa√ß√£o, teve de gerir desta forma. Esta “capacidade” de se manter forte quando o mundo se destr√≥i, pode garantir menos sofrimento √†s pessoas √† sua volta, mas tenha em conta se o “pre√ßo” que est√° a pagar n√£o √© demasiado elevado. Espero ter sido claro! Obrigado! Continue connosco!

  9. Carla disse:

    Obrigada, me senti melhor depois de ter ¬ę falado ¬Ľ com voc√™, acredite.
    Estou respeitando meu tempo, lentamente e ‚Äúcalada‚ÄĚ, assim √© a minha depress√£o. Carrego 10 toneladas no peito, mas sem perder a consci√™ncia de que a vida pr√°tica exige a minha presen√ßa.
    Não é facil perder 2 pessoas tão importantes num espaço de 10 dias.
    Agradeço mais uma vêz e parabenizo-o pela ajuda que está prestando aos enlutados como eu.

  10. Valdete disse:

    Boa noite Jorge. Entrei nesse site para procurar sobre as fases do luto para meu trabalho de Pedagogia, achei interessante os depoimentos e resolvi colocar tamb√©m o meu.Meu amado paizinho em janeiro/2012 apresentou sintomas e foi constatado Leucemia Aguda. De fevereiro a setembro, ficou internado no maravilhoso Hospital Brigadeiro, um tratamento com muito amor recebido pelos m√©dicos, enfermeiros, pessoal da limpeza, refei√ß√£o, tudo. Sempre tive muito forte a presen√ßa de Deus em minha vida, e nesses 9 meses, com minha m√£e, minha irm√£ e meu pr√≥prio pai, busc√°vamos em Jesus a for√ßa que precis√°vamos e conseguimos. H√° muitos anos, procuro buscar sabedoria para olhar as pessoas que me rodeiam pensando que amanh√£ ela pode n√£o estar mais comigo. Assim com meu pai, passeamos muito, jog√°vamos conversa fora, procurava ter sempre muita paci√™ncia, embora ele sempre tivesse uma sa√ļde de ferro. At√© os 78 anos s√≥ tomava analgesicos, mais nada. Enfim quando a doen√ßa chegou, come√ßou nosso per√≠odo de hospital. Aceitamos cada momento de dor, com muita for√ßa e coragem. Convivemos com a nossa dor e a do outro nesse per√≠odo hospitalar. Aprendemos muito. Tudo correu com muita tranquilidade. Em julho quando ele recebeu alta para ficar em casa parecia curado. Pensamos… aconteceu um milagre. Quanta alegria em nossos cora√ß√Ķes.Em setembro voltou. Passei a √ļltima noite com ele. Foi uma grande ben√ß√£o a minha serenidade. Meu paizinho viveu muito bem tantos anos, teve tempo de pensar e repensar sua vida, cumpriu sua miss√£o, chegou a sua hora, partiu. Nesses 9 meses acho que passei pelas 4 fases quando soube da gravidade da doen√ßa, por√©m com o passar dos dias, procur√°vamos nos fortalecer e acreditar na cura, talvez por lutarmos a cada dia, o conforto ia acontecendo gradativamente e quando chegou a hora da despedida penso que j√° estava na fase da aceita√ß√£o. Consegui transformar o que eu achava que seria um grande sofrimento, em eternos agradecimentos. S√≥ ficaram os bons momentos. Agrade√ßo muito a Deus por ter me dado sabedoria para curtir esse grande homem que Ele colocou no meu caminho, ainda em vida. A vida √© uma grande ben√ß√£o. E a morte uma continua√ß√£o dela.

    • Agrade√ßo a sua partilha e o seu interesse por este espa√ßo! Tal como referiu, quando sabemos previamente da perda, √© geralmente mais f√°cil lidar com o luto e as suas respetivas fases, pois temos tempo para nos preparar-mos internamente para o que vai acontecer, arranjar as nossas estrat√©gias e enfrenta-la de frente. Uma das coisas que acontece muitas vezes que √© muito doloroso, mas “contribui” de certa forma para a gest√£o interna do luto, √© no caso principalmente em doen√ßas perlongadas, ver-mos a pessoa de quem amamos estar num sofrimento extremo. Tendo consci√™ncia que dificilmente esse sofrimento acabar√°, e consciente e inconscientemente vamo-nos convencendo-nos que a “perda” da pessoa, pode acabar com o seu sofrimento, tornando assim muito mais f√°cil a aceita√ß√£o e a supera√ß√£o de todas as fases do luto.
      Referiu ainda que durante algum tempo acreditou na cura ou em um milagre, isso é característico da fase da negociação, quando apesar de sabermos o inevitável, temos uma pequena esperança que poderá de alguma forma haver retorno de todo aquele sofrimento. Mas atualmente, pelo que descreve parece-me que superou todas as fases do luto, chegando à aceitação! Obrigado pela sua partilha! Volte sempre! Felicidades!

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