palavras

As palavras assumem um papel muito importante na educação. Não apenas de uma forma directa e explicita como indirecta e implícita. Daí é importante ter em conta as palavras utilizadas durante a educação, pois podemos estar a influenciar seriamente uma criança ou jovem.

Actualmente de forma crescente as palavras, vêm assumindo uma crescente importância, não apenas na educação como também ao nível de várias terapias. A palavra tem força psicológica, pois pode ter um efeito de placebo, ou mesmo o efeito contrário de nocebo.

Na educação as palavras têm um efeito tão ou mais poderoso, pois as palavras ajudam a moldar quem somos nós, definir a nossa personalidade, definir a nossa relação connosco próprios e com o mundo.

O ser humano, em especial as crianças e jovens, são seres muito premiáveis. Quando a criança cresce a ouvir “ não és capaz”, decerto que vai aceitar essa realidade como certa e única. Mais tarde pode até questionar, mas nos primeiros anos, aquela é a sua única realidade, não tem meio de comparação, logo, vai aceitar tudo o que se diz como verdade absoluta. Apenas depois de anos a ouvir determinadas palavras é que pode questionar (ou não).

O mesmo acontece quando uma criança cresce a ouvir “ tem mesmo a personalidade do pai”, “ é forte como o avô”,”é inteligente como a mãe”, a criança e/ou jovem vai acreditar em tudo o que se diz sobre ela. Pois ela não tem qualquer ideia sobre si e os “adultos” é que sabem. Os pais ao dizerem que é parecida a alguém, atribuindo-lhe um adjectivo, vão “convencer” o filho de que ele possui aquele adjectivo, seja bom ou mau.

As crenças, medos, interesses verbalizadas pelos educadores, são importantíssimos na construção da personalidade e na identidade. Quando os pais dizem “ nasceu assim”, “ não tem melhorias”, “cada vez está pior”, os educadores passam uma ideia de determinismo, de julgamento, em que não acreditam ou reconhecem uma mudança no educando, ou mesmo definem-no quase como um ser passivo no processo, como se a vontade e motivação do educando não fosse relevante no processo de mudança.

Existem palavras e frases que condenam os jovens. É frequente crianças e jovens ficarem com expressões dos pai, gravadas na sua mente, que os marcam para toda a vida. Por vezes expressões minimizadas pelos pais, o jovem, dá um ênfase e significado diferente.

É frequente os pais dizerem “ele é assim, já fez vários tratamentos e nunca teve resultados”, muitas vezes à frente do próprio jovem. Desta forma como é possível a mudança, já que os próprios pais, frente ao filho admitem que determinado “traço” já faz parte da sua personalidade, já é difícil mudar.

Valorize os aspectos positivos, isso não implica mentir. Pois, mesmo o filho mais “traquinas”, terá as suas qualidades. É possível trabalhar os negativos através dos positivos. Por vezes os pais, tentam envergonhar o filho com o objectivo de mudar, porém existe elevada probabilidade de esses momento ficar marcado durante muito tempo na sua memória, dependendo da emoção envolvida, pode ser eficaz na mudança a curto prazo, mas a médio prazo, revela-se insatisfatória.

Quando a criança começa a acreditar que não tem valor e/ou não é capaz, surgem dois caminhos possíveis, dependendo das características a priori da criança (não me refiro a unicamente características inatas). Um dos comportamentos é de desistência, desanimo, tristeza, pois é incapaz de ir de encontro às expectativas dos pais por mais que se esforce. O outro comportamento possível, é o esforçar-se ao máximo para ir de encontro às expectativas dos pais, como é algo em esforço, muitas vezes um esforço além dos seus limites, o que faz com que por mais que os pais valorizem, nunca será o suficiente para que se sinta realmente valorizado e em paz. O tempo que estes comportamentos pode acompanhar o jovem/criança, depende de vários factores, isso leva a que seja possível, a curto prazo ele libertar-se desses comportamentos e crenças, como é possível que essa crença e comportamento o continue a acompanhar durante toda a vida.

É consciente na educação? Que valor têm as palavras para si?