O passado, na maioria das vezes é visto como responsável pela falta de saúde, psicológica e mesmo física. É no passado que existem os traumas, as experiências infelizes que aparentemente dão origem a um presente problemático. O passado parece algo inevitável, um peso de que não nos conseguimos livrar. Ou será que podemos?

No passado estão contidos muitos traumas, experiências menos boas, que de uma forma directa ou indirecta parece que nos proporcionam o presente. O presente é visto como consequência directa e o passado um espaço temporal inacessível ao ser humano, por consequência destas duas premissas, perante um passado menos bom ou traumático, irá surgir um presente de sofrimento inevitável. Já que não se podendo aceder ao passado e alterá-lo, irá dar origem a um presente e posteriormente a um futuro, quase determinista, deixando a pessoa com um sentimento de impotência.

Simplificando, existe uma forte crença que a vida é quase uma equação matemática:

 Passado Traumático = Presente Traumático = Futuro Traumático

Esta crença liga-se muitas vezes com o sentimento de impotência e a crença “se o meu sofrimento está no passado, nada posso fazer”, quando se acredita nisso, o individuo deixa de ser actor da sua vida para ser expectador.

É evidente que o passado é muito importante no presente, porém, não é uma consequência directa. O presente é construído por nós, em cada pensamento, em cada acção, em cada decisão.

 

Metaforicamente falando, imagine a sua vida completa, passado, presente e futuro, representada numa pintura. As primeiras tonalidades e pinceladas, podem ser escuras, mas só isso não faz com que o quadro final seja inevitavelmente escuro. Muitas das primeiras pinceladas, não foi você que pintou, pintaram por si e entregaram-lhe o quadro já começado a pintar e com tonalidades muito escuras. Mas desde o momento que lhe entregaram o quadro você tem poder de decidir que tonalidades irá usar. Provavelmente os responsáveis que começaram por uma tonalidade escura esperam que continue com uma tonalidade escura, questionando, pondo em causa cada tonalidade e pincelada ligeiramente mais clara. Mas em cada tonalidade e pincelada, lembre-se: esse é o seu quadro e você é que pode e deve escolher como fica melhor, como acha mais belo. Provavelmente as pessoas que questionam o seu quadro, terão os seus próprios quadros que pintaram da cor que bem entenderam e se não o fizeram, não é da sua responsabilidade. Idealize como acha melhor para o seu quadro e pinte! É provável que existam criticas, “sugestões” e quase imposições, relativamente a como irá pintar o quadro, mas sinta e siga o seu coração.

 

Não podendo apagar o passado existem várias coisas que podemos fazer e ter em conta, para o “arrumar”, minimizando os seus efeitos:

  • 1º Escolha um acontecimento traumático!

 

Os acontecimentos só por si não têm significado, cada um de nós é que lhe atribui significado. Não importa o que aconteceu objectivamente, mas como se viveu subjectivamente. – É possível que cada um de nós veja um mesmo acontecimento de forma completamente diferente. Um mesmo acontecimento pode ser traumático para uma pessoa e não-traumático para outra, além de que cada pessoa atribui importância e significado diferente.

  • 2º Que importância e significado lhe atribuiu? Porque?

 

Não podemos ir alterar um acontecimento passado, mas podemos alterar a nossa perspectiva sobre esse mesmo acontecimento. – Tal como num simples dado, é possível ver  seis faces distintas, variando consoante a forma como olhamos e a posição em que nos colocamos . Um acontecimento ou uma lembrança terá também outras formas de interpretar. Procure outra perspectiva sobre o acontecimento.

  • 3ºA importância desse acontecimento vem aumentando? Porque? É possível atribuir outros significados a esse acontecimento? Quais?

 

Todos os acontecimentos bons e maus, ensinam-nos algo. Todos eles, sem excepção, são fundamentais na pessoa que somos. –  É possível retirar uma aprendizagem positiva de cada acontecimento, seja ele bom ou mau, cabe a cada um de nós essa tarefa.

  • 4ºO que lhe ensinou esse acontecimento? Se fosse ao passado e alterasse esse acontecimento, que mudanças teria hoje?

 

Pode ter percorrido um caminho menos bom, mas pode sempre escolher uma alternativa. – Pode não acreditar e mesmo em muitos casos ser difícil, mas você decide cada passo que dá, se quer continuar no mesmo caminho, ou num caminho diferente.

  • 5º Esse acontecimento irá estar sempre presente na sua vida? De que forma? Parece impossível de contornar? Porquê? Existem outros caminhos possíveis? Quais?

 

Tal como aprendemos e integramos os acontecimentos menos bons, também é possível aprender a partir dos acontecimentos positivos. – Mesmo assumindo que o nosso estado actual foi uma “aprendizagem” consciente ou inconsciente, podemos sempre “aprender” a ser diferentes.

  • 6º O que posso fazer para me sentir melhor?

 

Se não podemos alterar o passado, porque não aceitá-lo? – Se não temos água connosco, porque mexer constantemente no fogo?

  • 7º Porque não aceitá-lo como algo que faz parte do seu caminho, uma pedra, um obstáculo? Quais prejuízos e benefícios de aceitar? Se não pode alterar, que sentido faz continuar pensando nisso?

 

O ser humano tem um enorme poder de transformação e voltando à matemática e corrigindo a formula anterior:

Passado traumático=/=  (Passado traumático x Poder de transformação)+ PRESENTE =>  Futuro

 

Lembre-se, é você que constrói o seu presente e futuro. Nada está determinado! LIBERTE O PASSADO E VIVA O AQUI E AGORA INTENSAMENTE!

E você, conseguiu “transformar” o passado? Este artigo ajudou?