Uma das perturbações que há uns anos mais suscita interesse pelos psicólogos é o Autismo. Não apenas por o seu diagnóstico ser difícil, mas também por não existir unanimidade relativamente à sua origem.

O Autismo é considerada uma perturbação geral do desenvolvimento infantil, que se prolonga por toda a vida e altera-se com a idade. O autismo é considerado um espetro, devido a esta perturbação poder variar e manifestar-se em três grandes domínios independentes entre si. No espectro Autista, esse défice nos três domínios é chamado a Tríade Autista (domínio social, domínio comunicacional e domínio comportamental). Dentro deste espectro podemos encontrar uma série de outras perturbações como o Asperger, perturbação de Rett entre outras.

Domínio Social: o desenvolvimento social é perturbado, diferente dos padrões habituais, especialmente o desenvolvimento interpessoal. A criança com autismo pode isolar-se, mas pode também interagir de forma estranha, fora dos padrões habituais.

Domínio da comunicação e linguagem: a comunicação, tanto verbal como não verbal é deficiente e desviada dos padrões habituais. A linguagem pode ter desvios semânticos e pragmáticos. Muitas pessoas com autismo (estima-se que cerca de 50%) não desenvolvem linguagem durante toda a vida.

Domínio do comportamento e do Pensamento: rigidez do pensamento e do comportamento, fraca imaginação social. Comportamentos ritualistas e obsessivos, dependência em rotinas, atraso intelectual e ausência de jogo imaginativo.

 

Apresentando sinais e sintomas como:

  • Dificuldade de relacionamento com outras pessoas, preferência pela solidão;
  • Pouco ou nenhum contacto visual;
  • Dificuldade em expressar necessidades;
  • Acessos de raiva;
  • Não tem real medo do perigo;
  • Insistência em repetição, resistência à mudança de rotina;
  • Ecolália (repetir as últimas palavras);
  • Riso inapropriado;
  • Procedimento com poses bizarras;
  • Aparente insensibilidade à dor;
  • Irregular habilidade motora;
  • Recusa colo ou afagos;
  • Rotação de objetos;
  • Perceptível hiperactividade ou extrema inatividade;
  • Inapropriada fixação em objetos;
  • Ausência de resposta aos métodos normais de ensino;
  • Age como se estivesse surdo;

A incidência da doença é de 0,2%. Duas a quatro vezes mais frequente em pessoas do sexo masculino que no sexo feminino. Não existem diferenças estatisticamente significativas ao nível das diferenças de raças, culturas e meios sócio-económicos. Quanto à origem, não existe unanimidade, porém a principal teoria recai sobre uma interação entre genes e meio ambiente.

 Quem estiver interessado pode encontrar os critérios de diagnóstico segundo o DSM-IV Aqui

Conselhos práticos para lidar com a perturbação autista:

  • Desenvolva atividades físicas (brincar, caminhadas, etc.), dando preferência a lugares públicos;
  • Incentive a fazer tarefas sozinho (vestir-se, comer, etc.) reforçando-o em cada progresso;
  • Evite irritar-se com pequenos retrocessos, tenha calma e seja paciente;
  • Estabeleça as tarefas em horários fixos, sempre pela mesma ordem;
  • Se fizer mudanças na vida diária, tente que estas sejam pequenas e uma de cada vez;
  • Se necessário desenvolva uma comunicação alternativa (através de cartões com sinais/símbolos) de forma a que possa comunicar facilmente as suas necessidades;
  • Promova o contacto com estímulos (visuais, auditivos, táctis, gustativos, olfactivos);
  • Atribua-lhe tarefas próprias e de responsabilidade (sempre tendo em conta as suas limitações);
  • Divida as novas tarefas em pequenas sub-tarefas;

Este artigo surgiu de um leitor nosso, que gostaria de saber sobre o Asperger. Como o Asperger é por muitos considerado um sub-tipo de Autismo, achei necessário inicialmente contextualizar. De forma aos leitores perceberem melhor o futuro artigo sobre o Asperger.

E você? Conhecia o Autismo? Foi-lhe útil este artigo?

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Autor: Jorge Elói