Desde há umas décadas até à atualidade a crença que apenas utilizamos parte do nosso cérebro, tem sido cada vez mais difundida, mas será que existe verdade por detrás dessa crença ou será apenas um simples mito?

A questão  de utilizarmos ou não utilizarmos a totalidade da nossa capacidade mental, à umas décadas para cá tem sido cada vez mais popular, sem uma resposta consensual , porém podemos analisar esta pergunta de diferentes perspetivas e dimensões.

Neurologicamente, a afirmação que apenas utilizamos parte do nosso cérebro é um mito e de isso não há dúvida. A evolução económica e adaptável como é, em momento algum nos iria proporcionar algo que não tivesse uso (estou a falar de 90% do restante cérebro), passando-o de gerações em gerações.

ACTIVAÇÃO CEREBRAL

CONTUDO, se falarmos em ativação cerebral, as coisas mudam um pouco de perspetiva. Cada pensamento, dada ação, cada processo, consciente e/ou inconsciente, possui uma ativação cerebral característica, isto é, fazem com que determinadas áreas em especifico do cérebro funcionem para que o processo, pensamento, ação seja possível. Esse conjunto de áreas constituem a “ativação cerebral”, por sua vez essa ativação em nenhum momento chega a todo o cérebro. Já que a estrutura neurológica e fisiológica podem de alguma forma restringir essa mesma ativação. Por outro lado, contrariamente ao que nos leva a pensar, uma maior ativação é cientificamente sinonimo de pouca eficiência cerebral, por outras palavras, numa mesma tarefa, o individuo que ativar menos áreas é o que tem o cérebro mais eficiente.

POTENCIAL CEREBRAL – Antropologia

Se falarmos em potencial cerebral, não existe nenhuma evidencia que estamos no auge do potencial do cérebro humano, pelo contrario, cada vez surgem mais factos que o cérebro humano pode ser levado “mais além”. Se formos a pensar ao nível antropológico, os nossos cérebros serão “iguais” aos nossos primeiros antepassados, por sua vez estes possuíam áreas cerebrais responsáveis por competências e habilidades que ainda não possuíam, que levaram milhares de anos a serem desenvolvidas, tais como a linguagem, a escrita, etc. As áreas do cérebro já estavam lá mesmo antes das competências e capacidades pelas quais seriam responsáveis. Surgem então a pergunta obvia: Não teremos no nosso cérebro áreas responsáveis por capacidades e/ou competências que ainda não desenvolvemos?  Muito provavelmente, porém a opinião não é consensual.

 

POTENCIAL CEREBRAL – Neurologia

Ao nível da neurologia, sabemos que os neurónios comunicam entre si através de sinapses. A comunicação cerebral é essencialmente através das sinapses. Ao longo da vida, é essencialmente ao nível das sinapses que o nosso cérebro se vai alterando. Elas são por tornar mais eficiente as áreas que mais se utilizam. Um pianista terá a área da motricidade mais desenvolvida, um musico a área da audição, etc. Sabemos que cada neurónio possui um numero de sinapses, que comunicam com outros neurónios, construindo uma rede neuronal, contudo, existe um potencial de rede neuronal que atualmente os nossos cérebros não possuem. Isto é, um neurónio poderia ter muitas mais sinapses do que aquelas que atualmente tem. Provavelmente devido aos estímulos exteriores, á necessidade, etc. Provavelmente os cérebros de hoje têm mais sinapses que os dos nossos antepassados.

POTENCIAL INCONSCIENTE

Atualmente sabe-se que o cérebro é responsável pelo total funcionamento do nosso corpo, a todos os níveis. Podemos ter órgãos com varias funções, mas é o cérebro que controla esses órgãos. Cada movimento que fazemos, estamos a contrair e relaxar dezenas e/ou centenas de músculos, o cérebro é que escolhe quais, quando, com que intensidade, etc. Contudo não temos consciência.  Cientistas afirmam que apenas temos consciência cerca de 1% de tudo o que acontece no nosso cérebro, que a maioria dos processos fogem à nossa consciência. E se conseguíssemos ter consciência de alguns desses processos inconscientes? Atualmente sabe-se que através da hipnose e meditação é possível controlar a temperatura corporal e o nível de dor de forma consciente. Que mais será possível controlar?

FÍSICA QUÂNTICA & CEREBRO

Cada  vez mais as ciências se interconectam, cada vez existem menos fronteiras, menos delimitações entre ciências, interconectando-se. Uma relação que parece muito popular nos dias de hoje é a relação entre a psicologia, neurologia e a física quântica. Em que cientistas afirmam que o pensamento, mais que alterar a nossa perspetiva sobre a realidade podem mesmo alterar a própria realidade, como o caso das experiencias com a agua de Masaru Emoto ou a experiencia de dupla fenda de Young. Alguns cientistas chegam a afirmar que a realidade não passa de uma “sugestão coletiva”. Desta forma, sendo possível alterar a realidade com um simples pensamento, muita coisa aparentemente impossível, começa a ser posta em causa a sua impossibilidade, elevando o “poder da mente” a um nível muito superior.

CONCLUINDO

Apenas  usamos  uma parte do nosso cérebro?  Não é verdade, usamos todo o nosso cérebro, mas em momentos diferentes, consoante o pensamento, ação ou processo.

O nosso cérebro poderá ter um potencial muito superior ao que tem atualmente? Em teoria sim! Poderemos ter áreas, para funções que ainda não utilizados. A nossa rede neuronal pode ser muito mais desenvolvida, isto é, cada neurónio, pode-se ligar a muitos mais, do que aqueles que se liga. Se tivermos consciência de todos os processos inconscientes. Caso se verificassem todas as suposições anteriores como afirmativas, juntando ao facto da possibilidade de alterar a realidade com um simples pensamento, como o descrito, surge a questão: Quais os limites do cérebro humano? Possivelmente os limites iriam muito além do que atualmente se imagina.

No entanto, é importante também questionarmo-nos caso tudo isso fosse possível e fossemos capazes de utilizar toda a eventual potencialidade do nosso cérebro, qual seria o “preço” ao nível biológico/fisiológico/ energético? Se com as capacidades atuais, o cérebro é dos órgãos que consome 20% da energia no corpo, enquando os outros orgãos consomem em média 2%, como seria com capacidades aparentemente ilimitadas? Seria sustentável? A natureza é ecológica, se somos como somos, talvez exista uma razão evolutiva, para não sermos “mais” daquilo que somos.

Filmes como Lucy e Limitless retratam essa possibilidade.

E você, acha possível existir um potencial enorme escondido?