A Psicologia da Dor

12 de abril de 2013 por: Jorge Elói

A dor tem a função de proteção corporal, porém perde essa função quando é crónica. Por outro lado será que a dor é psicológica e/ou neurológica?

Desde o nascimento at√© ao fim dos nossos dias a sensibilidade √† dor acompanha-nos. Dif√≠cil de acreditar, mas a dor tem a fun√ß√£o de proteger o corpo, dando-nos um sentido de alerta sobre o que o est√° a destruir. A prova isso √© que existem pessoas com insensibilidade cong√™nita √† dor, isto √©, nascem e vivem sem dor, mas o que √† primeira vista parece uma ‚Äúvida de sonho‚ÄĚ, para eles √© um pesadelo, pois sem esse continuo sinal de alerta essas pessoas vivem aproximadamente apenas 30 anos, j√° que n√£o evitam e at√© mesmo provocam les√Ķes de destroem o organismo.

Podemos interpretar a dor como alerta do limite corporal. Por exemplo pessoas com insensibilidade cong√™nita, podem tamb√©m terem o ‚Äúv√≠cio‚ÄĚ de roer as unhas, contudo como n√£o t√™m dor, n√£o t√™m limite, ‚Äúroendo‚ÄĚ n√£o apenas as unhas todas como tamb√©m parte dos tecidos corporais, provocando o sangramento inevit√°vel.

Assim sendo a dor é algo benéfico e que promove a conservação do corpo e organismo. E porque muitas vezes parece algo negativo até tornar-se crónico?

Ao nível funcional e neurológico, a dor é simplesmente a excitação de determinado neurónio em determinada zona do cérebro. Logo, podemos fazer uma fratura numa perna, tendo uma dor quase insuportável, no entanto a dor não está na perna, está no cérebro.

Tamb√©m a interpreta√ß√£o da dor t√™m evolu√≠do ao longo do tempo. A dor cada vez mais deixa de ser interpretada como uma simples rea√ß√£o neurol√≥gica a um sinal corporal ou org√Ęnico. Cada vez mais √© assumida que uma parte da dor √© psicol√≥gica, n√£o apenas corporal e neuronal.

No momento de um traumatismo ou sangramento, existe um sinal produzido na parte do corpo em questão que é levado ao cérebro, chegando ao cérebro, provoca uma reação neurológica que irá provocar a dor. Porém todo este sistema está envolvido por uma interação continua com a parte psicológica, que pode minimizar ou maximizar esse mesmo sinal. Por incrível que pareça, essa interação ou interpretação psicológica pode levar a dor aos dois extremos possíveis, isto é, pode levar a pessoa a perder os sentidos ou deixar de sentir completamente dor.

A nossa personalidade, cren√ßas, a capta√ß√£o sensorial e at√© as nossas experiencias pr√©vias influenciam a nossa avalia√ß√£o pr√©via da dor. Por exemplo, se n√£o tivermos conhecimento sobre a quantidade de sangue que temos e sobre o sistema circulat√≥rio, associado √† cren√ßa que o sangramento pode ser fatal, qualquer sangramento que possa existir, a dor vai ser maximizada. Por outro lado tivermos conhecimento do sistema circulat√≥rio, j√° tiver experi√™ncias anteriores semelhantes, acreditando que √© um acontecimento normal no funcionamento humano, a dor √© minimizada, muitas vezes at√© negligenciada. Quantas vezes vemo-nos uma ‚Äún√≥doa negra‚ÄĚ ou um ferimento e n√£o nos lembramos onde foi feita.

Desta forma, √© importante ‚Äúcuidarmos‚ÄĚ o nosso psicol√≥gico para diminuirmos as nossas dores. Posteriormente a uma agress√£o f√≠sica, em que a dor perdura durante alguns dias, existe tamb√©m uma avalia√ß√£o posterior, em que esta pode ser maximizada ou minimizada/relativizada.

Quando a dor passa a ser o centro da vida da pessoa, √© psicologicamente muito negativo, pois a pessoa ter√° ganhos secund√°rios com a dor ou incapacidade. Por exemplo, algu√©m que tem uma dor, ter√° mais aten√ß√£o e ‚Äúmimo‚ÄĚ das pessoas que o envolvem, por sua vez essa aten√ß√£o e esse ‚Äúmimo‚ÄĚ alimentam a dor, pois deixar√£o de existir quando a dor deixar de existir e o sujeito gosta de aten√ß√£o e ‚Äúmimo‚ÄĚ, sendo a dor uma forma f√°cil e simples de o conseguir. Outro exemplo frequente destes ‚Äúganhos secund√°rios‚ÄĚ √© o fato de as pessoas facilitarem a vida √†s pessoas com dores, tirando-lhe responsabilidades e trabalho, o que vai contribuir para que essa dor se perpetue no tempo. Contudo, todos estes comportamentos ‚Äúalimentadores‚ÄĚ da dor s√£o inconscientes.

Desta forma compreender a dor, bem como compreender as din√Ęmicas internas √© fundamental para minimizarmos a nossa dor. A psicologia pode promover o autoconhecimento, fazendo com que o individuo se compreenda melhor.

Como é que reage perante a dor ou a incapacidade? Já pensou nos ganhos secundários que ai poderão ter origem? Não poderá minimizar essa dor?

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Jorge Elói

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Residente no distrito de Leiria. Fundador e Criador do Espa√ßo Psicologia Free. Licenciado em Psicologia, Mestre em Psicologia da Educa√ß√£o, Hipnoterapeuta Certificado, Certificado Internacional em Coach, Formador. Conhecimentos de programa√ß√£o e Webdesigner. Experi√™ncia na √Ārea de Marketing e Comercial. Adora jogging, futebol, xadrez, aprender e uma boa conversa. Curioso, criativo e empreendedor!


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