trevosorte2

 

 

Actualmente o tema da auto-estima parece transversal a todas as áreas humanas. A forma como nos avaliamos a nós próprios influencia necessariamente como iremos ser, como iremos interagir, como nos iremos relacionar. Assim a auto-estima é essencial para o bem-estar e uma vida saudável.

A auto-estima é a avaliação subjectiva que uma pessoa faz de si mesma, sendo esta intrinsecamente positiva ou negativa. Deduz-se que existe um continuum de um extremo negativo até a um extremo positivo.

A auto-estima é considerada a origem e reguladora de muitas características humanas, não se restringindo apenas a características psicológicas, mas também ao nível de fisiológico, imunológico, etc. Ela compõe a base da maioria das nossos traços.

A auto-estima sendo a forma como nos vimos a nós, influencia necessariamente como nos relacionamos com os outros, como gerimos as críticas, como enfrentamos as ameaças exteriores, como nos mostramos, o valor que damos às nossas experiências, o empenho e motivação que pomos em tudo o que fazemos,  segurança que temos face a um novo obstáculo, a tolerância à frustração, etc.

Não é difícil perceber quando uma pessoa tem uma baixa auto-estima, isto é acha-se com pouco ou sem valor, tenha algumas crenças irracionais e erradas relativamente a:

Relacionamentos: 

  • “o meu parceiro(a) facilmente encontrará alguém com mais valor que eu” – fazendo que seja dependente, ciumenta, sufocante, vivendo com medo iminente de ser trocada ou abandonada.
  • “se eu não vale nada, ninguém vai gostar verdadeiramente de mim como sou” – dificuldade de mostrar-se, de falar de si, medo de ser julgado, de não ser aceite. Caso alguém goste ou aceite como é, esta pessoa procura intensamente uma explicação alternativa para essa aproximação, para esse gostar (será por interesse? Será para gozar?).
  • “tenho de me mostrar diferente para ser aceite” – esforça-se em mostrar alguém que não é com o intuito de ser aceite e ser amado.
  • “ele/ela ama-me, não tendo eu qualquer valor, por isso, por pior que essa pessoa seja tenho que a aceitar.” – submete-se a essa pessoa, aceita agressões a todos os níveis.
  • “a pessoa que está comigo tem muito mais valor que eu” – prioriza as necessidades dessa pessoa e passa as suas para segundo plano.

Profissional: 

  • “as minhas ideias valem tanto quanto eu, nada! “ – não participa, ocultando o seu lado mais criativo.
  • “para que vou tentar se não vou conseguir?” – falta de empenho, de motivação, dificuldade em mudar, rigidez.
  • “o que faço não tem valor!”, ” é esperável que não vá conseguir!” – não se entrega às actividades, dando falho como algo certo, duvidando do reconhecimento e valorização de alguém, sabotando os elogios (acreditando que os elogios terão outro significado como: pena ou gozo.
  • “eu não tenho valor, por isso, tenho que aceitar todas as críticas.” – aceita todas as criticas em questionar, põe-se constantemente em causa.
  • “tenho muita sorte em esta empresa aceitar alguém sem valor como eu” – conformismo, acomodação, tolera falta de respeito e profissionalismo dos restantes membros.

Estas são algumas das crenças irracionais e erradas ao nível relacional e profissional, mas é importante referir que a auto-estima é um conceito complexo possuindo várias dimensões e o ser humano é um ser complexo. Pois pode acontecer que nem todas as dimensões  possam estar igualmente influenciadas pela baixa auto-estima. Isto é, a dimensão relacional pode estar muito deficitada enquanto a profissional relativamente normal.

Por outro lado é importante referir que existem estratégias de compensação inconscientes, intradimensões e interdimensões.

Intradimensões: compensação dentro de uma mesma dimensão. Por exemplo: acreditando que as outras pessoas não o/a aceitarão como é, procura estratégias de ser mais aceite, mais atractivo/a. Dando um ênfase especial ao superficial: frequentando o ginásio intensamente, “abusando” na maquilhagem (tentando mostrar-se sempre perfeita), procurando roupas e endereços que lhe atribuam valor (roupa de marca, carro “invejável”, telemóvel ultima geração, etc.).

Interdimensões: compensação entre dimensões. Acredita que numa dimensão não vale nada nem nunca irá valer, foca-se em outra dimensão. Por exemplo: as pessoas que acreditam que nunca irão ser aceites e ter um relacionamento que as faça sentir bem, podem eventualmente focar-se na dimensão profissional, vivendo para o trabalho, tornando o trabalho o centro das suas vidas, procurando intensamente a perfeição, compensando assim a imperfeição da outra dimensão.

Algo também importante referir qualquer crença integra mecanismos de retroalimentação, isto é, reforça-se a si mesma. Por exemplo, se acreditarmos que somos vencedores, vamos ter comportamentos, atitudes e mesmo pensamentos que reforçam essa crença, isto é, vamos estar super motivados e empenhados, vamos arriscar tudo pelo que acreditamos, pois a possibilidade de não conseguir não existe, e mesmo eventualmente se não conseguirmos, esse facto vai ser relativizado, aumentando a probabilidade de sermos bem sucedidos, reforçando a crença.  O mesmo acontece, se acreditarmos que somos derrotados, vamos ter medo de falhar, poucas expectativas de vitoria, não nos vamos entregar por completo pois podemos nos desiludir, e mesmo eventualmente se formos bem sucedidos esse facto irá ser minimizado, aumentando a probabilidade de não termos sucesso, reforçando a crença.

Por ultimo, alerto mais uma vez que o ser humano é complexo, não existe determinismo. Um mesmo comportamento pode dever-se a várias crenças diferentes, saudáveis ou disfuncionais. Cada pessoa é única. E não existem verdades absolutas! Cuidado com as categorizações e os preconceitos.

E você, como vai a sua autoestima?

Artigos relacionados: Amnésia: O Curioso percurso da Memória, Efeito Nocebo: Cuidado com as Palavras!, “Normal” ou “Anormal” eis a Questão!, Gestalt: Perspetiva e Origens, Benefícios Psicológicos da Dança, 7 Dicas para promovera auto-estimaAfinal, o que é a Auto-Estima?