Especialmente nas últimas décadas, o tema da Maturidade tornou-se cada vez mais popular. Por vezes categorizada por “maturidade psicológica”, outras “maturidade emocional”, mas ambas são, na prática, a mesma coisa: maturidade psicológica-emocional. Actualmente, neste tempo de rótulos e carimbos, surge assim na maturidade mais uma dessas categorias, maturidade vs imaturidade.

O conceito de maturidade, ao nível não apenas físico, mas principalmente psicológico, tem assumido cada vez mais importância. Apesar da sua relatividade e subjectividade, este conceito é importante no contexto social actual, principalmente utilizado durante a infância e no decorrer do desenvolvimento, contudo, cada vez mais utilizado ao nível da idade adulta.

 

Mas o que é a Imaturidade?

O conceito de maturidade está intimamente relacionado com o conceito de normalidade, essencialmente ao nível do desenvolvimento. Logo, o conceito de imaturidade relaciona-se com o conceito de “anormalidade“ ou fora da norma.

O que é a norma? Como foi construída a “norma”? Muito simples de perceber e de explicar. Referimos-nos a norma como a categoria do normal, apesar de discussões e falta de unanimidade na construção desse ”normal”. Deste modo quando se fala de normal ao nível psicológico e do desenvolvimento, fala-se numa norma construída essencialmente pela frequência estatística. Simples, com base nas aquisições, comportamentos, características cognitivas da maioria das crianças (mais de 50% da amostra) em determinada idade, estabelece-se o que é normal. Por exemplo: Se a maioria das crianças faz 10 aquisições e a criança “Y” apenas fez 9, a criança “Y” é imatura, não tem um desenvolvimento dentro da norma.

 

PERIGO: Carimbo de imaturo

Rapidamente é possível perceber a crítica óbvia a este conceito ou pelo menos à forma como ele é construído. A forma como é tratada e construída a norma, não dá espaço para que cada criança tenha o seu ritmo, parte do pressuposto errado que todas as crianças possuem um ritmo mais ou menos semelhante, o que em alguns casos não acontece.

Este conceito de norma, construído com o propósito de encontrar facilmente algumas dificuldades no desenvolvimento, pode facilmente se tornar um carimbo castrador capaz de condicionar toda uma vida. Embora na sua maioria, as crianças partilhem caminhos e ritmos semelhantes, isso não quer dizer que sejam todas iguais. Existem crianças com ritmos mais acelerados, que apesar de fora da norma, ao nível do desenvolvimento não é necessariamente negativo, pelo contrário, é algo bastante valorizado. Mas também existem crianças com um ritmo mais lento, isso não invalida que elas consigam fazer todas as aquisições e atingir todas as metas. Muitas delas conseguem, mas um pouco mais tarte. Qual a necessidade de um carimbo? Todos nós somos diferentes, porque não respeitar isso? Se tudo está em constante mudança, o ritmo de aquisições/aprendizagem não pode mudar? Porque assumir um ritmo único e imutável?

Na minha perspectiva, a norma, o conceito de imaturidade/maturidade é importante, mas deveria ter uma função essencialmente indicativa, informativa e nunca castradora, exclusora  ou segregadora.

Adulto imaturo VS Criança Imatura

Quando chegamos à idade de adulto, ao nível psicológico atingimos o completo desenvolvimento, logo, todos os parâmetros utilizados no passado, como as aquisições, as capacidades cognitivas, (entre outros) utilizados em crianças deixam de fazer sentido. Contudo, ainda nesta idade e cada vez mais, se utiliza este conceito.

A Imaturidade infantil é diferente da imaturidade em adulto, pois enquanto que na infância existe uma norma previamente construída pela sociedade e educação, com base nas aquisições, nas competências e capacidades cognitivas, na imaturidade em adulto, não existe uma norma explicita, mas implícita, e em vez de se basear na aprendizagem e na dimensão cognitiva, baseia-se em outras dimensões, como: a capacidade de aprender com a experiência, inteligência emocional e a capacidade de lidar com os problemas.

Se a maturidade nos adultos, se baseia na capacidade de aprender com a experiência, a inteligência emocional ou a capacidade de lidar com os problemas, consequentemente, não reflecte necessariamente a idade cronológica. É possível então, encontrar alguém jovem com uma grande maturidade psicológica, como alguém adulto/idoso com pouca maturidade psicológica. Pode sim indicar uma tendência, mas nunca uma relação directa.

Em tons de crítica,  com frequência e alguma facilidade se assume que a imaturidade em adulto é mais possível de ser trabalhada e de se alterar, enquanto a imaturidade infantil muitas vezes é assumida como imutável e estável. Este pressuposto não contraria a plasticidade neurológica?

 

4 PRINCIPAIS SINAIS DE IMATURIDADE PSICOLÓGICA-EMOCIONAL

 

Cometer o mesmo erro

A Imaturidade psicológica, leva as pessoas a cometerem, vez após vez, o mesmo erro. Não questionam o porquê do erro, o porquê de não conseguirem. Em certa medida elas não percebem como provocam o erro, podendo esse facto derivar-se de ausência de consciência dos seus comportamentos ou atitudes. Frequentemente questionam-se: Porque me acontece isto? Não percebendo que foi o seu comportamento que desencadeou o erro.

 

Dificuldade em responsabilizar-se

Pessoas psicologicamente imaturas, têm muita dificuldade de assumir responsabilidades. Não apenas dos seus erros, mas das responsabilidades do quotidiano. Muitas vezes elas atribuem a um agente ou entidade externa, o seu erro. Deus, o karma, vidas passadas, o vizinho, o colega, tudo serve de alvo de atribuições do seu erro. Deparando-se com as responsabilidades do dia a dia, a pessoa imatura, facilmente as vê como excessivas e impossíveis de gerir, assumindo que são demasiado peso e responsabilidade para ela.

 

Egocentrismo

Os imaturos, assumem a sua verdade como a verdade absoluta e dificilmente põem em causa a sua verdade, mesmo confrontados com provas óbvias. Muito dificilmente, para não dizer impossível, conseguem ver as perspectivas, as verdades do outro. A verdade deles é de longe a mais verdadeira. Além de serem incapazes de gerir as críticas, assumindo tudo como uma afronta, como um ataque pessoal muito ameaçador, quando muitas vezes as críticas são apenas simples observações. Eles acreditam que em certa medida, o mundo gira à volta deles.

 

Chantagens Emocionais

As pessoas imaturas, têm muita dificuldade de gerir as emoções. Facilmente recorrem a chantagens emocionais como forma de coagir o outro a ter determinado comportamento ou tomar determinada decisão. Muitos, não incapazes de perceber conscientemente que estão a fazer chantagem emocional, facilmente fazem “birras”, fazendo “tempestades em copos de água”, vitimizando-se de modo a coagir o outro a fazer algo.

 

O conceito de maturidade e imaturidade psicológica, apesar de ser polémico, longe de unânime, é um conceito socialmente importante, um potencial indicador de que algo não esteve ou está bem. Contudo, não deve ser um carimbo, uma forma de preconceito ou exclusão, principalmente na infância.