Desde sempre que o homem existe como o conhecemos, a tomada de decisões é algo extremamente dificil para uns, enquanto extremamente fácil e simples para outros. Enquanto alguns procuram tomar decisões, outros por outro lado, tentam fugir a todo o custo à tomada de decisões. No inicio dos tempos acreditava-se que a capacidade de tomar decisões deriva dos deuses, à semelhança de outras capacidades cognitivas, na maioria das vezes atribuída a lideres. Mas será que é mesmo assim? Será que a tomada de decisões está restrita a alguns e não está aberta a todos? Porque será que é tão dificil para uns, enquanto extremamente fácil para outros?

TOMADA DE DECISÃO: MOMENTO VS PROCESSO

Começamos pelo inicio, o que é a Tomada de Decisão?

Rapidamente pesquisando na Internet, encontra-se:

“Tomada de decisão é um processo cognitivo que resulta na selecção de uma opção entre várias alternativas. É amplamente utilizada para incluir preferência, inferência, classificação e julgamento, quer consciente ou inconsciente.”

A Tomada de Decisão, ao contrário do que poderia pensar, não é um momento, nem um evento, mas sim, um processo cognitivo. Eventualmente, pode existir momentos que requerem decisões, momentos de crise, momentos dinâmicos. Mas sem esse processo cognitivo, não seria possivel.

Contudo, mesmo sendo a tomada de decisão um processo cognitivo, é extremamente influenciada pelo momento em que ocorre ou que é solicitada. Se a tomada de decisão é “uma opção entre várias alternativas”, e tendo em contra que a realidade é dinâmica e extremamente mutável, é possivel que num determinado instante determinadas variáveis tenham um valor, já outro instante logo a seguir, tenham um valor completamente distinto, daí a sua complexidade.

 

DIFICULDADE EM TOMAR DECISÕES

Devido ao processo de tomada de decisões ser extremamente complexo é dificil, envolvendo vario subprocessos internos, porém, assumindo que a tomada de decisão é um processo cognitivo, qualquer pessoa nem défices cognitivos, nem neurológicos está apta tomar decisões, não apenas os lideres. Não é por ser líder que “desbloqueia” a tomada de decisão, ou que torna-se legitimo tomar decisões, pelo contrário, é pela capacidade de tomar “boas” decisões que uma pessoa comum pode chegar a líder.

É importante referir que a tomada de decisão não visa apenas as grandes decisões, comprar uma casa, mudar uma lei ou mesmo declarar guerra a um pais. A tomada de decisão está presente todo o dia, no quotidiano de todas as pessoas, quando escolhemos um par de sapatos em vez de outro, quando decidimos conduzir por uma estrada em vez de outra, quando decidimos como gerimos o nosso dinheiro, todas estas situações envolvem o processo de tomada de decisões. O que altera entre uma grande decisão e uma pequena decisão, é apenas a responsabilidade e o potencial risco, uma coisa é sairmos para a rua com botas no verão, outra é declararmos guerra a um pais sem necessidade.

INSEGURANÇA VS FALTA DE INTELIGÊNCIA

Tendo em conta que tomada de decisão está presente em todos nós, e que facilmente percebemos que o que difere entre as grandes decisões e as pequenas decisões é a responsabilidade e o risco, ainda assim, porque é dificil tomar decisões e faz muitas pessoas fugir, evitar?

À primeira vista, parece que essa dificuldade em tomar decisões poderá estar associada à falta de inteligência ou competência, já que implicitamente envolve uma analise profunda das várias opções. Contudo, a falta de inteligência, não envolve uma não decisão, mas uma má decisão, assim sendo, pouca inteligência/competência pode implicar más decisões e não necessariamente ausência das mesmas.

A dificuldade de tomar decisões está intimamente relacionada com a falta de confiança em nós mesmos, não necessariamente com a inteligência ou com qualquer outro factor ou variável.

DES-RESPONSABILIDADE & A PROCURA DO RISCO ZERO

Obviamente temos que ter inteligência e até uma certa consciência, para percebermos a responsabilidade e o risco que envolve determinada decisão, daí surge o medo. A dificuldade de tomar decisões não surge pela  sua alta complexidade cognitiva, mas sim pela falta de confiança que se traduz na maioria das vezes em medo do risco e das responsabilidades. Se conseguimos perceber que a decisão envolve um enorme risco e responsabilidade e se eu tiver baixa confiança em mim, não irei acreditar na minha inteligência ou capacidade de analise, irei acreditar que irei tomar uma ma decisão, com todo o risco e responsabilidade que isso implica, logo não irei tomar essa decisão.

Tendo pouca confiança em nos mesmos, irei duvidar de todas as boas decisões que possa tomar, assim sendo, tentarei tomar a decisão, mas diminuindo o risco e a responsabilidade. Porém, por mais que diminua o risco, sobre a decisão que irei tomar, esse risco nunca irá chegar a 0. Assim, enquanto o risco não for 0, não é o momento certo para tomar a decisão, adiando-a continuamente, até ao limite. Pois, têm que ter a certeza absoluta que irão tomar a decisão correta, mas essa certeza não existe.

Por outro lado, os inseguros irão tentar dividir responsabilidade, expondo a questão a outras pessoas, de forma a partilhar a responsabilidade com outra pessoa ou pessoas. Quantas vezes ouvimos: “ O que achas?”, “ O que fazias, se fosses tu?”, “ Esta opção é a melhor?”, são simples tentativas de tornar o outro co-responsável da uma escolha que irá ser nossa.

DESCONHECIDO VS CONHECIDO

Tomar decisões, além de complexo e em certa medida exigente cognitivamente, a tomada de decisão envolve sempre uma pitada de “loucura”. Na medida que o risco nunca chegará a 0, em qualquer decisão haverá sempre um risco transversal, logo, a única forma de enfrentar esse risco é através de coragem e por definição, a coragem não é a ausência do medo, mas sim ter medo e mesmo assim seguir em frente, portanto, uma certa dose de loucura, um passo de fé.

A falta de confiança vai minar o caminho desconhecido por vários lados, não apenas, fará que se preveja muitas dificuldades, muitos obstáculos, como também influenciará a percepção sobre nós próprios e as nossas capacidades de superar, ultrapassar esses mesmos obstáculos. Assim, sendo o conhecido, o que possui menos risco, será o preferencial.

A tomada de decisão não está restrita a um grupo, nem a lideres, mas está livre e presente em todos nós. Contudo, quanto maior o risco e responsabilidade da decisão, maior confiança será necessária para enfrentar essa tomada de decisão e as suas consequências. Nem toda a gente tem a confiança suficiente. Alem da dificuldade, prende-se não no processo em si, mas na iniciativa de assumir esse processo.

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