Desde o inicio dos tempos, mesmo antes da existência de qualquer sociedade ou comunidade, surgiu o homem e obviamente a mulher e indirectamente com eles surgiram os relacionamentos. Desde os primeiros pensadores, os relacionamentos foram alvo de inúmeras questões e teorias. Mesmo nós próprios nos questionamos como devemos-nos relacionar. Actualmente é um dos temas bastante populares e polémicos, daí a pertinência.

Primeiro que tudo devemos tentar perceber a definição de relacionamento:

  • Ato de relacionar, de estabelecer uma ligação, uma conexão com algo ou alguém: relacionamento entre a teoria e a prática.
  • Relação amorosa, afectiva, de amizade ou de intimidade entre pessoas; relação: o relacionamento virtual é apenas uma das muitas formas de se relacionar.
  • Maneira de tratar, de conviver bem, de se conectar amigavelmente com outras pessoas: seu chefe era de difícil relacionamento.

Assim sendo, podemos assumir que o relacionamento é uma forma de conviver, de nos conectarmos com o outro. A forma como interagimos com o outro também podemos assumir que faz parte do relacionamento. Podendo existir assim, vários tipos de relacionamento: amizade, profissional, amoroso, intimo, etc. Todos eles implicam necessariamente, uma forma única de estar e de se conectar ao outro, porém diferentes.

CADA RELACIONAMENTO É ÚNICO

Nenhum relacionamento é igual. Podemos ter milhões de amigos, milhões de namorados, ou até mesmo, a nível profissional, milhões de clientes ou fornecedores, mas nenhuma relação é completamente igual. Cada um de nós, possui determinadas características que fazem de nós únicos, logo, se a relação, interacção depende das características únicas de ambas as pessoas, logicamente que irá ser necessariamente única.

Embora existam padrões, é possivel com alguma facilidade fugir a esses padrões, depende muito da pessoa que tempos junto de nós. Quantas vezes assumimos que somos tímidos e perto de determinada pessoa, simplesmente não somos? Quantas vezes assumimos que somos “frios” e perto de determinada pessoa, deixamos de o ser?

Isso acontece, porque num relacionamento não são apenas as minhas características que influenciam, mas as minhas características vão interagir com as do outro. Quantas vezes sentimos que já conhecemos o outro? Quantas vezes sentimos que a comunicação fluir demasiado bem para o normal? É uma questão de compatibilidade de um conjunto de características, que na maioria das vezes foge à nossa consciência.

RELACIONAMENTOS AMIZADE E AMOR

Vou então focar-me nos relacionamento de amor e de amizade, na medida que são os mais precoces e os mais inatos. Com tantas pessoas diferentes, com tantas características diferentes, será que é possivel garantir um relacionamento sólido? A resposta é não necessariamente. Porquê? A solidez de um relacionamento não depende apenas de nós, da nossa vontade, nem apenas das nossas características, depende das características e da vontade do outro também e nisso não temos controle. Por vezes, mesmo ambas terem vontade de se relacionar, as características, as experiências comuns, podem condicionar esse possivel relacionamento de forma inconsciente. Porém, apesar dessa influencia inconsciente, sempre existem algumas coisas que podemos fazer para que o relacionamento se mantenha saudável.

5 DICAS PARA RELACIONAMENTOS

 

1 – Falar sobre os problemas – “Silence is not the way”

Uma das dicas mais básicas, transversal a qualquer relacionamento humano. O silencia não é o caminho. Quando existe um problema, deve-se falar sobre ele, ambos devem ter um momento para expor o seu ponto de vista. O silêncio não resolve os problemas, apenas agrava o peso que levamos connosco. Uma simples analogia é quando fazemos uma ferida, podemos fingir que não temos nada e esperar que ela cicatrize sozinha, mas há feridas que não cicatrizam sozinhas, necessitam de ser “tocadas” para que possam ser curadas e muitas vezes doí. Fingir que os problemas não existem, isso não resolve, só potencializa os seu sofrimento.

 

2- Respeito – Cada pessoa é única

Cada pessoa é única. Uma ideia tão curta e simples de compreender, mas muito dificil de interiorizar. Quantas vezes, inconscientemente ou mesmo consciente, damos pelo outro a querer moldar-nos ou por nós a querer mudar o outro? Com facilidade, caímos no erro ingénuo de tentar moldar o outro à nossa imagem, ou pelo contrário, caímos no erro de não nos permitirmos sermos genuínos, junto ao outro porque o outro não vai gostar. Deveria haver respeito para com as pessoas que temos à nossa volta. Não devemos impor o nosso caminho, o nossa visão, a nossa verdade ao outro, seja a quem for. Podemos sim, expor o nosso ponto de vista, se o outro decidir adoptar a nossa verdade como sua, muito bem, caso contrário, tudo bem na mesma. Isto é, não devemos ficar zangados, tristes ou mesmo agressivos pelo outro não concordar connosco, apenas são pontos de vistas, verdades, perspectivas distintas, nada mais que isso, o outro continua a mesma pessoa.

 

3-Aceitação – Não tem de ser perfeito

O outro é como nós, imperfeito! Logo, por que não aceita-lo como é? Toda a gente tem defeitos e qualidades, não somos perfeitos e obviamente o outro também não será, afinal de contas somos humanos. Obrigatoriamente o outro terá defeitos e não iremos gostar de alguns deles. É importante a aceitação, do outro com os seus defeitos. Obvio que existem defeitos e características que não conseguimos aceitar, todos nós temos os nossos limites. Na maioria dos relacionamentos de amor ou amizade, naturalmente não existe aceitação incondicional. Talvez o amor de pais-filhos, seja o mais proximo dessa aceitação incondicional, porém ainda assim existem muitas excepções. Facilmente conseguimos imaginar a não aceitação incondicional, imaginem que um(a) amigo(a) ou um(a) companheiro(a) resolve ser um assassino em serie, vocês iriam continuar o relacionamento? Claramente que não! O outro pode não ser perfeito, pode ter defeitos que para nós são inaceitáveis, mas isso não invalida que o respeitemos. Por vezes não é o outro que possui defeito, mas porque as suas características são incompatíveis com as nossas e facilmente assumimos que nós é que estamos bem e o outro que tem defeitos.

 

4 – Liberdade – O segredo é não correr atrás das borboletas, mas cuidar do jardim.

Tal como as borboletas, tal como qualquer animal, ninguém gosta de ser controlado, manipulado. No amor e na amizade, ninguém deveria sentir-se obrigado a estar com alguém. O relacionamento deve existir por vontade de ambos, mas pode terminar por vontade apenas de um, contudo, ainda assim deve ser respeitado, bem como as suas razões. Não podemos obrigar ninguém a gostar de nós, a aceitarmos-nos, visto isto, se alguém com quem temos um relacionamento, chega junto a nós e nos diz que “já não faz sentido”, logicamente não iremos, nem podemos obrigar o outro a continuar connosco, o outro terá os seus motivos, independentemente quais forem, devemos respeitar. Podemos perguntar “porquê?”, podemos tentar mostrar o nosso ponto de vista. Mas em ultima instâcia a decisão é dele. O mesmo acontece connosco próprios, se resolvemos terminar um relacionamento, o outro não nos pode obrigar, nem nos impor para que fiquemos com ele, devemos ser respeitados. Devemos estar com o outro, por que nos faz sentido a nós, não por que somos obrigados a isso. Acontece muitas vezes, a pessoa que tem medo de perder, adopta determinados comportamentos e atitudes que acaba por ser ela a provocar esse mesmo fim da relação. Talvez este seja o ponto mais dificil de compreender.

 

5- Evitar Chantagem emocional –Manipulando…

Quantas vezes somos vitimas de chantagens emocionais e muitas vezes nem temos consciência disso? A chantagem emocional é muito frequente, na grande maioria dos relacionamentos. É uma forma quase inconsciente de levar o outro a fazer algo, mesmo contra a vontade dele. Frases como: “ Se realmente fosses meu amigo…estarias aqui”, “ Se gostasses de mim… farias isto, ou aquilo”, de uma forma mais camuflada: “quantas vezes já te ajudei e tu não és capaz de me ajudar?”, ”Fiz isto por ti, agora tens de fazer isto por mim…”, “eu não queria desistir de ti, mas se…continuares assim terei que o fazer”. Quantas vezes fomos vitimas de manipulação e chantagem emocional sem sabermos, porém, mesmo inconscientemente, algo nos faz não gostar de estar com aquela pessoa. Aos poucos a chantagem emocional vai minando o que mantinha as pessoas unidas. Este ponto está muito relacionado com o anterior, devemos fazer as coisas por que nos faz sentido, não porque somos obrigados a isso. Não alimente a chantagem emocional é a única forma de que acabe.

 

O relacionamento é um fenómeno altamente complexo. Cada um de nós é único, construindo uma interacção única. O outro não é perfeito e nós também não, isso não quer dizer, que não respeitemos essas imperfeições, independentemente de o aceitarmos ou não. Uma pessoa muito má ao nosso lado, pode ser uma pessoa maravilhosa ao lado de outra pessoa, num relacionamento não são apenas as nossas características, mas também as do outro que influencia e interferem. Numa simples metáfora, as pessoas são como as peças de puzzle, não existe nenhuma peça perfeita, contudo pode existir um complemento, uma conexão perfeita.

O mundo, a vida não acaba, quando uma relação termina. Nascemos completos, o outro deve-nos complementar e nunca completar. Se não aceitarmos um defeito, para nós muito grave, se a outra pessoa tem algo intolerável para nós, expomos o nosso ponto de vista, caso a outra pessoa não esteja disposta a mudar, porquê continuar a forçar? Porque não seguir em frente? Será possivel obrigarmos alguém a gostar de nós ou obrigarmos-nos a gostar de alguém? Vale a pena reflectir?

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