Cada vez mais evidente a influencia da mente e da psicologia sobre o corpo e a biologia. Uma aparentemente pequena diferença psicológica, pode provocar uma enorme diferença no nosso ser. A diferença entre ser doente e estar doente é uma dessas pequenas diferenças que fazem uma grande diferença.

A nossa personalidade, as nossas experiências, as nossas decisões,  os nossos pensamentos, os nossos comportamentos, influenciam directa ou indirectamente a evolução e mesmo a origem da doença. Isso faz com que a mente da pessoa seja co-responsável pelo estado do corpo e pela resistência e recuperação deste às doenças.

Actualmente conhece-se vários factores, psicológicos que influenciam directa ou indirectamente a doença física. Porém até o simples facto de como aceitamos a doença, pode fazer muito diferença. Não apenas como ela se manifesta no presente, mas também como ela se mantêm ou recupera no futuro.

Ser doente ou estar doente?

Estas são duas formas de aceitarmos ou reconhecermos a doença, aparentemente muito semelhantes, mas que fazem uma diferença enorme. À primeira vista parecem quase sinónimos, pois quando se está doente, é-se doente, podem alguns leitores pensar. Contudo existe aqui uma grande diferença.

 

trevosorte4Estar doente – Esta expressão remete para um estado, algo alterável, modificável, algo passageiro e momentâneo.

Ser doente – Esta expressão, leva-nos à definição de uma identidade, algo que faz obrigatoriamente parte dela da identidade, ajudando-a directa ou indirectamente a defini-la. Logo, é algo estável, fixo, de difícil alteração, imutável.

Lembre-se que existem vários estados, mas apenas um ser. A forma como assumimos e/ou aceitamos a doença, consciente ou inconscientemente, faz com que esta seja interpretada de forma diferente pelo corpo, dificultando ou facilitando a sua “libertação”.

Quando as pessoas assumem determinada característica como parte da sua identidade, seja doença ou não, fazem com que essa característica perdure durante muito tempo, sendo de difícil alteração, influenciando inconscientemente a percepção da realidade interna e/ ou externa.

Ao assumir-se doente, inconscientemente estabelece-se uma ligação com a identidade, como algo que faz parte integrante de si próprio. Dando mais importância aos acontecimentos que intensificam essa ligação, e minimizando os acontecimentos de enfraquecem essa ligação. Isto é, alguém que se assume doente, por mais saúde que tenha, dificilmente será “alguém não doente”, ao mesmo tempo que qualquer acontecimento que tenha, por mínimo que seja vai confirmar e fortalecer essa mesma ligação entre a doença e a identidade. Tal como quando a pessoa se assume “um derrotado”, todas as vitorias são minimizadas e as derrotas são maximizadas, confirmando e fortalecendo essa crença.

 

Ao aceitar a doença como um estado, faz com que seja mais facilmente modificável. Pressupõe-se que não existe um único estado, que existiu um estado diferente no passado ao qual é possível aceder.

A maneira como aceitamos a doença, influencia a recuperação do corpo, até mesmo a reincidência dessa mesma doença. Este facto leva-nos inevitavelmente a duas questões:

Sou responsável por estar doente? Se é assim tão fácil, claro e com tantos benefícios, porque a doença não é encarada como um estado por todas as pessoas?

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A pessoa é co-responsável por estar doente. Apesar deassumirmos a doença como algo que não temos controle, causado por microorganismos externos ou mesmo que seja algo genético. É preciso não esquecer 3 aspectos :

  •                 A genética não é determinista. Pode existir uma propensão, uma probabilidade, mas nunca uma certeza. Mesmo sendo um gene dominante em ambos as pais, isso não faz com que possua esse gene. Além de que a manifestação da “doença genética”, depende sempre da interacção da biologia com o meio, isto é, a manifestação do gene depende de como vivemos.
  •                 Temos um sistema imunitário que protege e recupera o nosso corpo das agressões. A nossa mente, emoções, pensamentos, crenças, influenciam o sistema imunitário. Mesmo nas doenças ditas incuráveis existem casos de remições/curas espontâneas, isto é, por pior que seja a agressão, existe possibilidades de esta ser controlada pelo sistema imunitário.
  •                 Podemos controlar o nosso comportamento e decisões, existem algumas decisões e comportamentos que aumentam a probabilidade do nosso corpo ser agredido ou mesmo de este se recuperar mais rapidamente. Ingerir demasiadas calorias, ter comportamentos sexuais de risco, permanecer num ambiente emocionalmente instável, são alguns comportamentos que influenciam a probabilidade de existir uma agressão num futuro, a curto prazo ou mesmo a longo prazo. É normal que quando a manifestação se revela a longo prazo é mais difícil para a pessoa estabelecer uma relação entre o comportamento e a consequência.

 

Se é assim tão fácil, simples claro e com tantos benefícios, porque é que a doença não é encarada como um estado por todas as pessoas?

 

A forma como cada um encara a doença depende essencialmente da percepção da doença e de si próprio. Por sua vez estas duas percepções dependem de inúmeras variáveis, com origem na educação (família, cultura, pares, pessoas significativas, etc.). Além dos ganhos secundários consciente/inconscientes que a pessoa possa eventualmente ter ao estar/ser doente. Tal como a genética, a educação possui um papel importante, na forma como somos e interagimos com a realidade. Para muitos autores a educação tem um papel mais importante e forte do que a genética, mas tal como a genética, não é determinista, representa uma probabilidade.

É importante referir que cada pessoa é única. O que é fácil e evidente claro para uma, pode não ser para outra.

Em última instância: tudo se resume a uma decisão individual. Por mais tendências fortes que existam, a forma como encaramos a doença é uma escolha de cada um de nós. Para uns, uma escolha mais difícil, para outros, óbvia. Para uns, uma escolha mais consciente, para outros menos consciente. Mas não deixa de ser uma escolha individual.

Lembre-se que o nosso pensamento constrói a nossa realidade.

 

E tu, como encaras a doença? Estás doente ou és doente?